Dentro da programação que marca os dois anos das enchentes no Rio Grande do Sul, o governo do Estado realizou um evento nesta segunda-feira, na sede da Associação dos Municípios do RS (Famurs), em Porto Alegre, com foco na adaptação e resiliência climática, coincidindo com a abertura da Semana de Prevenção aos Desastres Socioambientais, que segue com programação até a próxima quinta-feira.
A abertura do seminário, também na programação da ação governamental Caminho das Águas, teve a presença da secretária-adjunta da Reconstrução Gaúcha (Serg), Angela de Oliveira; da coordenadora de Adaptação Urbana do WRI Brasil, Lara Caccia; do gerente de Infraestrutura Resiliente do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR), Cristobal Maciel, que participou virtualmente; e do secretário Municipal de Governança Cidadã e Desenvolvimento Rural da Prefeitura de Porto Alegre, Cassio Trogildo.
Segundo as autoridades, é necessária uma mudança cultural profunda em relação à gestão de desastres. "É extremamente importante mantermos a cultura de prevenção, entendermos o que ocorreu e buscarmos estratégias em relação ao que nós queremos. Os municípios também têm, muitas vezes, uma imensa responsabilidade , e nós temos entender e prover os recursos, não apenas técnicos, como também a assistência jurídica e de orientações", disse Angela.
Lara, por sua vez, salientou que, por exemplo, as soluções baseadas na natureza são estratégias válidas para promover a justiça climática e evitar danos futuros causados por eventos extremos. Ela explicou ainda, baseada em estudos, que a cada um dólar gasto com adaptação, são economizados dez dólares em reconstruções. “São questões que acabamos evitando quando investimos na resiliência. Vamos trabalhando de uma maneira muito transversal no sentido de reunir autoridades de planejamento urbano, Defesa Civil, entre outras áreas afins, para trabalhar com esta agenda”, disse Lara.
O diretor da Famurs, Aícaro Ferrari, também reconheceu a importância de fomentar uma cultura de prevenção nos municípios. “Não se deve discutir com a natureza. Onde a água foi uma vez, ela vai duas ou três. Mas sabemos também do trabalho que o governo faz com os municípios, de forma com que haja uma reconstrução eficiente e longe de locais já afetados”, comentou ele.