Cidades

Seminário sobre Mudanças Climáticas do MPRS aponta educação ambiental para combater desinformação

Painel promovido no início da tarde contou com a participação da reitora da Ufrgs e pesquisadora da área do Direito Público

SEMINÁRIO SOBRE MUDANÇAS CLIMATICAS NO MP/RS
SEMINÁRIO SOBRE MUDANÇAS CLIMATICAS NO MP/RS Foto : Mauro Schaefer

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Gabinete de Estudos Climáticos (GabClima) e do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF), promoveu nesta sexta-feira o Seminário Mudanças Climáticas 2025. O encontro foi realizado no auditório do MPRS e contou com a participação de especialistas de diversas áreas. No início da tarde, um painel apontou a importância da educação ambiental para combater a desinformação durante desastres.

O encontro contou com a participação da reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a física Márcia Barbosa, da doutoranda em Direito Público, Elisa Maffassiolli Hartwig, e do professor Joel Avruch Goldenfum, que atua como secretário-executivo Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática. Durante a manhã, o seminário debateu temas como o direito dos desastres e planos de contingência. À tarde, também estavam previstos painéis sobre instrumentos de prevenção, preparação e respostas a desastres, e transição energética.

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A reitora da Ufrgs apontou a necessidade de fomentar a formação adequada sobre emergência climática. Ela citou que isso precisa ocorrer através de professores, com o foco de ensinar crianças e adolescentes. Ela também pontuou algumas das mudanças no planeta que estão refletindo em possíveis desastres naturais.

“O evento de 2024 poderia ter sido melhor preparado caso os cientistas tivesse sido ouvidos após a cheia de 2023. Além disso, as condições do oceano indicam que a nossa região seguirá virando uma sauna. Os ciclones também vão aparecer com maior frequência por conta do aquecimento dos oceanos. Mas o RS não possui sensores no oceano. E isso é preocupante, pois é necessário mapear os riscos para poder trabalhar melhor”, falou a reitora durante sua palestra.

Já a doutoranda em Direito Público apresentou detalhes de seu estudo sobre os reflexos da desinformação durante a enchente de 2024 no RS. Ela citou que, entre 7 e 13 de maio do ano passado, foram mais de 7,7 milhões de publicações em redes sociais sobre a catástrofe climática, mas que mais da metade continham algum tipo de desinformação. Elisa destacou ainda que parte das manifestações tinham como objetivo reforçar uma mobilização anti-sistema e anti-estado.

“Tivemos uma supervalorização das ações desenvolvidas por atores privados e uma quase eliminação do papel do Estado na resposta à emergência. (A desinformação durante desastres) É um fenômeno muito complexo. Diversas medidas devem ser tomadas de forma coordenada. A primeira é o apoio de legislação sobre a responsabilidade das plataformas digitais. O segundo é a responsabilidade de quem dissemina a desinformação. E a terceira é a educação ambiental, climática e digital, com o propósito de proteção contra a manipulação da informação”, concluiu.