O senador Hamilton Mourão estará no Rio Grande do Sul nesta semana para uma série de compromissos destinados a abordar a situação crítica causada pelas recentes enchentes. Mourão destacou que o estado vem sofrendo com eventos climáticos severos desde o ano passado, citando as inundações no Vale do Taquari e na região da Grande Porto Alegre. Segundo ele, os desastres climáticos não têm previsibilidade, mas a rapidez e a intensidade das recentes enchentes foram surpreendentes, causando grandes prejuízos materiais e afetando psicologicamente a população.
Em sua visita ao estado, Mourão terá uma agenda extensa. Na quinta-feira, ele participa de um almoço na Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) com parlamentares gaúchos, para discutir a situação dos produtores rurais, que possuem, em sua avalização, grande importância para o PIB do estado. Na tarde do mesmo dia, visitará abrigos coordenados por seu partido e áreas afetadas pelas enchentes em Canoas.
Na sexta-feira, Mourão entregará emendas para a Defesa Civil, visitará instalações temporárias da Ceasa e se reunirá com o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, e com o comandante militar do Sul. No sábado, ele irá a Caxias do Sul para se reunir com o prefeito Adiló Didomenico e visitará hospitais que receberam emendas parlamentares, depois retornará a Brasília no final da tarde.
Em relação à sua agenda na próxima semana, Mourão mencionou a possibilidade de uma visita ao Vale do Taquari, uma das regiões mais afetadas. Ele planeja realizar reuniões com líderes locais e avaliar de perto os danos para garantir que a comissão externa do Senado esteja bem informada e possa propor medidas eficazes.
Senador afirma que buscou em Brasília soluções para o Estado
Ao Correio do Povo, Mourão mencionou que, desde o início da crise, esteve presente no estado, participando de reuniões com a bancada federal e o comando militar. Ele lembrou de uma reunião crítica na Assembleia Legislativa em maio, onde já se começava a traçar algumas medidas de emergência. “Lembro que estávamos ali por volta de umas 11 horas da manhã quando veio um alerta de evacuação do centro de Porto Alegre”, disse Mourão, ao ressaltar a rapidez com que a água invadiu grande parte da cidade.
O senador falou sobre sua atuação no Senado, onde trabalhou para instituir um auxílio emergencial e outras medidas destinadas a socorrer pessoas e empresas afetadas. Ele foi nomeado relator de uma comissão externa do Senado criada para acompanhar a crise no Rio Grande do Sul e propor soluções legislativas. Essa comissão foi instalada no início de maio.
Ele enfatizou que muitas das medidas necessárias para enfrentar a crise dependem do governo federal, que tem maior capacidade fiscal. Ele criticou a atuação do governo e pediu uma intervenção financeira robusta, similar à realizada durante a pandemia. “O governo tem que se mexer mais e não ficar esperando que a coisa aconteça para faturar politicamente”, afirmou. Para Mourão, o governo precisa disponibilizar recursos significativos para a reconstrução do estado, mencionando valores entre 80 e 100 bilhões de reais como necessários.
Ele também destacou a necessidade de um auxílio emergencial para empresas afetadas pelas enchentes e comparou, novamente, a situação atual com a pandemia. Mourão defendeu o uso de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador para ajudar no pagamento de salários enquanto as empresas se recuperam, com medidas como a redução da jornada de trabalho mediante contrapartida do governo, como ocorreu durante o enfrentamento à crise da Covid-19. “Amanhã é dia 5 e a empresa precisa pagar a folha, mas não vendeu nada, está com seu patrimônio todo debaixo d'água. O governo tem que colocar recurso pelo menos para o pagamento da folha”, explicou.
Além das ações emergenciais, Mourão criticou a decisão do governo de importar arroz enquanto há estoque disponível no estado. Ele chamou a medida de “absurda” e apontou uma contradição do governo ao exigir conteúdo local para veículos elétricos, mas não para a compra de arroz. “Era a hora de comprar a produção gaúcha, não de importar arroz da Tailândia”, comentou o senador.
Em resposta às críticas por não ter estado no RS durante a fase mais crítica da crise, Mourão defendeu sua presença em Brasília, onde, segundo ele, trabalhou para garantir recursos e apoio legislativo para o Rio Grande do Sul. Ele argumentou que sua atuação no Senado era crucial para obter apoio de outros parlamentares e pressionar por soluções. “Eu não posso fazer isso à distância. Tenho que fazer isso numa conversa diária aqui. Além disso, durante o período tivemos reuniões importantes no congresso. Vale lembrar do veto à 'saidinha' e às questões das fake news, que conseguimos impor duas derrotas significativas ao governo. A vida aqui continuava sendo tocada. Então, as pessoas têm que compreender que eu não posso me ausentar nesses momentos e aí, no Rio Grande do Sul, tinha bastante gente que estava fazendo um trabalho e eu seria apenas mais um, e aqui, em Brasília, eu sou o um”, justificou.
Ao final, Mourão expressou solidariedade às pessoas afetadas pelas enchentes e afirmou que possui o compromisso de pressionar por recursos no Senado. “É uma situação difícil e complicada, e meu sentimento é de solidariedade para com essas milhares de pessoas que perderam tudo e estão em abrigos”, concluiu. Ele enfatizou que a recuperação do estado dependerá de um esforço conjunto de todas as esferas de governo e da iniciativa privada, e prometeu continuar trabalhando para que os recursos necessários sejam disponibilizados o mais rápido possível.