A Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs), em conjunto com a Rede de Mulheres na Engenharia, realizou mais uma edição do Serge Debates nesta sexta-feira. O tema do encontro foi o desassoreamento e a dragagem de corpos hídricos para a reconstrução do RS após a enchente de maio. Entre os participantes do debate, estavam gestores de órgãos relacionados com a navegação, profissionais técnicos da área da engenharia e parlamentares.
Segundo a engenheira Daniela Cardeal, presidente do Comitê de Mulheres da Serge, a entidade se coloca como um centro de conhecimento técnico e debates essenciais para a sociedade. “Nós entendemos que o potencial de uso de hidrovias é necessário não somente para a retomada econômica, mas também para o desenvolvimento sustentável. Nestes eventos, nós estamos trazendo pluralidade para o debate”, citou a engenheira.
O senador gaúcho Luis Carlos Heinze destacou que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) já está realizando um levantamento da navegação nos rios do Sinos, Gravataí, Caí, Taquari e Jacuí. “Também precisamos debater a exploração da areia como um bem de consumo, pois ela pode ser usada na construção civil. Mas nós precisamos de legislação para resolver estes impasses”, completou.
Já o presidente da Associação Hidrovias do RS (Hidrovias RS), Wilen Manteli, afirmou que o desassoreamento é indispensável para que a navegação ajude na retomada econômica do estado. “O problema de falta de dragagem existe há mais de 30 anos. Os navios já estão com dificuldade para circular. Tem navio armador que está se negando a navegar. Isso é uma responsabilidade do governo, mas também da sociedade, que deveria apoiar mais a pressionar os órgãos responsáveis para desobstruir essas vias”, reforçou.
A Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs), em conjunto com a Rede de Mulheres na Engenharia, promoverá o Sergs Debates “Desassoreamentos e dragagens de corpos hídricos" na agenda de construção do RS.
Faltam apenas recursos para iniciar dragagem no Guaíba, afirma Portos RS
Uma das entidades que participaram do debate na Sergs foi a Autoridade Portuária dos Portos do Rio Grande do Sul (Portos RS). O presidente Cristiano Kingler apresentou os principais danos registrados nas infraestruturas portuária e marítima da autarquia. “Esses problemas com encalhes ocorreram tanto em Porto Alegre como em Rio Grande. Estive em Brasília nesta semana e o Dnit está assinando o contrato de batimetria de todo o nosso sistema de navegação. Isso é fundamental para o nosso próximo passo, que é a dragagem”, apontou.
Kingler também ressaltou que a Portos RS já entregou aos órgãos competentes todos os projetos e documentos necessários para a dragagem. “O empecilho para iniciar a limpeza atualmente é a liberação do recurso. O licenciamento junto com a Fepam está de acordo. Já entregamos todas as informações técnicas para o Dnit. Agora o que precisamos é ter a batimetria para saber o volume a ser retirado. Então, hoje é a questão financeira que falta para a execução da obra”, completou.
Ainda de acordo com o presidente da Portos RS, alguns trechos do canal de navegação da região metropolitana podem passar pela dragagem de forma emergencial. “Tivemos um navio que encalhou saindo do polo. Depois, foi feito uma batimetria neste trecho e nós encaminhamos para o Dnit. Então não seria necessário aguardar a batimetria de todo o canal. Nós pedimos para ganhar tempo e executar emergencialmente nestes pontos.”, finalizou.