Cidades

Sindicatos protestam em Porto Alegre mesmo com envio de proposta do reajuste do mínimo regional pelo governo

Encaminhamento de projeto à Assembleia ocorreu na véspera de ato de movimentos, marcado para esta terça em frente ao Palácio Piratini

Ato em defesa do reajuste do salário mínimo regional
Ato em defesa do reajuste do salário mínimo regional Foto : Pedro Piegas

A mobilização das centrais sindicais marcada para a manhã desta terça-feira, na Praça da Matriz, em Porto Alegre, em frente ao Palácio Piratini, para pressionar pelo aumento do salário-mínimo regional, foi menor do que o previsto, muito em parte devido ao envio da proposta do governo do Estado que versa sobre o reajuste à Assembleia Legislativa, em regime de urgência, na última segunda-feira.

O projeto reajusta os salários em 8%, maior do que o salário nacional, que subiu 7% no último mês de janeiro. O valor oferecido pelo Executivo também é quase o dobro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), percentual que serve de base para o cálculo do salário-mínimo a nível de país. O valor, acumulado em 12 meses até novembro de 2024, foi de 4,84%.

No entanto, o pleito das centrais sindicais é de um aumento de 10,45%, referente à inflação acumulada de 5,32%, mais o crescimento do PIB gaúcho em 2024, de 4,87%. Ainda assim, ele é considerado uma “correção parcial” por entidades como a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no RS (CTB-RS), que calcula as perdas nos últimos anos em 17,3%.

“É um reajuste até razoável dentro do nosso entendimento, mas que não atende a integralidade do nosso pedido. Faltaria em torno de 8,5% para complementar as perdas históricas que o piso regional teve neste período. Entendemos que foi um avanço em relação ao que os empresários estavam propondo, achamos positivo o governo ter enviado em regime de urgência, mas pensamos que deveria ter sido enviado o projeto com os valores retroativos a 1º de maio”, salientou o presidente da CTB-RS, Guiomar Vidor. Esta data é a base para o reajuste do mínimo regional.

Para o presidente, em parte, o envio por parte da gestão Leite foi devido à pressão sindical. “Se não tivéssemos desde o início apresentado uma proposta, pressionado o governo e colocado na mesa nossos argumentos, todos estes fatores contribuíram para que o governo também formasse uma opinião, e chegasse à constatação de que, de fato, o salário-mínimo regional do Rio Grande do Sul está extremamente desvalorizado e precisa de um processo de recuperação”, comentou.

Com o envio pelo governo, a mobilização dos sindicatos, disse Vidor, será agora pela rápida votação, já que o projeto deve trancar a pauta da Assembleia caso não seja votado nos próximos 30 dias. “Nosso objetivo agora é pressionar os deputados e dialogar com os líderes das bancadas para que seja colocado em votação o mais breve possível”. Procurada, a Casa Civil disse que não foram entregues revindicações à pasta.

Já o deputado estadual Delegado Zucco enviou ofício ao governador Eduardo Leite solicitando a inclusão dos servidores públicos estaduais no reajuste de 8%, que, em tese, caberiam somente aos trabalhadores da iniciativa privada, com o aumento do mínimo regional. O documento pleiteia ao governo que envie à Assembleia um novo projeto, garantindo o mesmo percentual. “É uma questão de justiça e isonomia. O servidor também sente o peso da inflação no bolso”, disse ele.

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Sistema Fiergs reforça posicionamento contrário ao reajuste do piso regional

O projeto de lei que propõe reajuste de 8% do piso regional é considerado injustificável pelo Sistema Fiergs. De acordo com a entidade, “desde o último reajuste, em dezembro de 2024, a inflação acumulada é de 3,38%, conforme projeção do Monitor do INPC da Fiergs”. Diante da proposta, a entidade reforça seu posicionamento contrário ao aumento e a favor da extinção do salário mínimo regional. A posição leva em conta os desafios enfrentados pela economia gaúcha nos últimos anos e considera que o índice proposto pelo governo do estado é incompatível com a capacidade de recuperação das empresas no atual cenário.

O presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, lembra que a posição das federações empresariais sempre foi pela extinção do piso regional. “O salário mínimo regional não contribui para a geração de emprego e renda, elevando os custos, desestimulando o crescimento econômico e afastando investimentos”, diz Bier. Além disso, conforme Bier, há uma relação estabelecida entre os empresários e seus empregados e este não é um assunto do governo.

“Estamos negociando com os sindicatos a inflação, e o governo do estado aparece com este percentual, muito acima do esperado”, destaca. “Consideramos que esse reajuste compromete a competitividade do setor produtivo gaúcho e impulsiona a inflação. A suspensão desse aumento é uma reivindicação que as entidades empresariais gaúchas vêm fazendo há muito tempo e que representaria um investimento na competitividade do estado”, ressalta.

Para a Fiergs, trata-se de uma decisão que impõe custos adicionais significativos justamente quando as empresas lutam para manter empregos, reconstruir estruturas e retomar a produção. A indústria gaúcha acumula retração real de 5% no biênio 2023–2024, e esse reajuste acima da inflação e desproporcional compromete a competitividade e pode agravar ainda mais o quadro de estagnação econômica industrial no estado.

A Fiergs reitera seu compromisso com a valorização do trabalho, mas destaca que isso deve ser feito com responsabilidade e coerência com a realidade econômica. Também entende que as negociações devem ocorrer de forma direta entre trabalhadores e empresas, observando as peculiaridades de cada setor, época e mercado. Segundo Bier, a entidade vai buscar negociação com o governo e com os deputados estaduais em relação ao salário mínimo regional.