Com tempo seco, predomínio do Sol, mas com temperaturas geladas, os moradores do bairro Fortuna, em Sapucaia do Sul, vivem a expectativa de ver as águas do Rio do Sinos voltar para dentro da calha já nos próximos dias. Conforme dados da Defesa Civil do município, nesta quarta-feira o rio marcava 4,90m, fora da cota de inundação, porém dentro da cota de alerta. Entretanto, o final da rua Sebastião Faut, que dá acesso às moradias da localidade do Formigueiro, seguia completamente alagada, com deslocamento sendo feito por barcos pequenos ou bicicletas.
Marcelo Pedroso, que cresceu no bairro e já conhece o comportamento do rio, conta que as águas começaram a baixar de forma bem lenta. "No meu terreno não tem água porque é bem alto. Eu crio galinhas, porco e tenho cavalos. Mas estou ilhado. A cada saída de casa é um transtorno. Para sair, somente de barco", conta ele que vestia macacão, botas e ajudava a vizinha Hilda Feijó Ribeiro.
Hilda, que mora há três anos no Fortuna, conta que a cada previsão de chuva forte, ela solicita auxílio dos moradores no entorno para erguer os móveis dentro de casa. "No ano passado tive que abandonar minha residência, que ficou por dias completamente dentro da água. Perdi muitos móveis, agora recuperei parte das coisas, não quero mais perder nada." Ela diz ainda que tem seis cães, alguns adotados na enchente de 2024. "Todos estão a salvo, dentro de casa."
Franciele Costa, que retornou há menos de um mês para a casa da mãe, após deixar o local em decorrência das enchentes de maio do ano passado, diz que é como reviver aquele sentimento de apreensão diante da água que demora a baixar. "Os carros ainda insistem em transitar pelos trechos alagados, provocando ondas. Isso faz com que a água entre ainda mais no pátio da gente. Isso é bem perigoso."
Franciele lembra que alagamentos sempre aconteceram em localidades ribeirinhas ao rio, mas segundo ela, piorou muito nos últimos três anos. "A água não baixa. Fica represada por muitos dias. Não fazem dragagem, não fazem limpeza." Segundo a moradora, é preciso que o poder público tome alguma atitude porque a população não aguenta mais viver neste impasse. "Precisamos de um dique. Precisamos de obras para evitar que os moradores tenham seus pertences extraviados toda a vez que chove mais que o normal."
Em Campo Bom, a última mediação apontou 6,68m e em São Leopoldo o Rio dos Sinos estava na marca de 4,91m, ainda na cota de inundação, mas com redução gradual em ambas as cidades.
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