Uma comitiva de técnicos holandeses chegou ao Rio Grande do Sul nesta quarta-feira. Na agenda, encontros com representantes dos governos federal, estadual e da prefeitura de Porto Alegre; a meta é compreender a estrutura atual do sistema de proteção contra cheias da Capital e recomendar melhorias que tornem a cidade mais segura em ocorrências futuras envolvendo inundações.
No primeiro compromisso em Porto Alegre, o grupo esteve com o prefeito Sebastião Melo e o diretor-geral do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Maurício Loss. Acompanharam a reunião técnicos do Dmae e o Doutor em Planejamento de Recursos Hídricos, Carlos Bulhões, também o reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
A partir desta quinta-feira, os holandeses visitaram comportas, casas de bombas e diques. Áreas que não possuem proteção, como a zona Sul, também serão avaliadas. O trabalho deve se estender por uma semana e, ao fim, renderá um relatório apontando adoção de melhorias.
A conversa com o prefeito não pôde ser acompanhada pela imprensa. Ao fim da reunião, o engenheiro Ben Lamoree, líder da delegação técnica, destacou a experiência dos holandeses com inundações, estudos e procedimentos adotados no país natal e nas principais cidades do mundo, que sofrem com os efeitos da água. O país europeu é tornou referência no tema.
“É uma visita rápida, não esperem milagres de nós. Vamos conhecer a realidade de Porto Alegre e sugerir caminhos”, ressaltou Lamoree, que também é conselheiro da Agência Empresarial Holandesa (RVO) para áreas como Adaptação às Mudanças Climáticas Urbanas e Recuperação Pós-Desastre, e está no RS acompanhado da cônsul-geral dos Países Baixos, Wieneke Vullings, e de especialistas em manejo de águas, drenagem e obras de recuperação.
Para o prefeito da Capital, o desafio de recuperar a cidade pesa sobre a administração do município. Contudo, as soluções que vierem a surgir, bem como a gestão dos sistemas de proteção, precisam de “institucionalidade” voltada para para preparar a cidade para eventos climáticos futuros.
“O prefeito não pode dizer que é com o governador, e o governador não pode dizer que é com o presidente, mas não pode ser coisa apenas de um governo. Será mais difícil definir como enfrentar, realizar obras médias e grandes se não houver uma institucionalidade”, adiantou Sebastião Melo.
A prefeitura de Porto Alegre pretende firmar um termo de cooperação com os holandeses para validar o diagnóstico que será apresentado. Melo adiantou ainda que o trabalho do vai abranger soluções de "curtíssimo" prazo e a preparação da Capital para tornar o sistema de diques e comportas mais robusto e eficiente.
Nesta quinta-feira o grupo deve participar de um encontro com representantes do governo do Estado, do governo federal e de instituições locais com reconhecida atuação no setor, como o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS. A visitas da comitiva pela Capital se estenderão até o próximo sábado. O objetivo é conhecer a operação das comportas, casas de bombas, além dos diques.
No currículo, os holandeses possuem participação ativa no programa Redução de Risco de Desastres (Disaster Risk Reduction – DRRS). No Brasil, já atuou em Recife, capital brasileira severamente atingida por fenômenos climáticos em 2022. Por lá, o termo de cooperação firmado sugeriu medidas de mitigação de impactos causados por enchentes.