O iminente alagamento do Centro Histórico colocou em pânico moradores e trabalhadores da região. O movimento na Praça da Alfândega, a partir das 10h desta sexta-feira, em direção ao terminais de ônibus é semelhante ao verificado em finais de tarde. Algumas pessoas, mais aflitas, correm pelas ruas. Isto porque o nível Guaíba está em constante elevação e coloca em risco principalmente a população que circula na área central de Porto Alegre. A prefeitura aconselha, ainda, que os donos dos estabelecimentos levantem seus móveis, eletrodomésticos e utensílios.
Cozinheira de um restaurante, Olga Varella, 58 anos, quase foi atropelada ao cruzar a rua Caldas Júnior na direção da Praça da Alfândega. “Estou desesperada, preciso sair do Centro. Na pressa de ir embora, acabei cruzando a rua sem verificar o movimento do trânsito”, relatou, aos prantos. Vários estabelecimentos comerciais estão encerrando as atividades, atendendo ao apelo do prefeito Sebastião Melo.
Proprietário de uma banca de lanches, Ricardo Alves, parecia correr contra o tempo. “Estou subindo as mercadorias a 1 metro de altura e vou desligar os freezers”, afirmou. Alves ainda armazenou os salgados – pastéis, empanados e sanduíches – com a intenção de levá-los para casa. “A situação é de caos. Sempre escutei relatos sobre a enchente de 1941, ocorrida quando eu ainda sequer tinha nascido, e estou prestes a enfrentar uma pior, a de 2024”, desabafou.
Na rua dos Andradas, praticamente quase todas as lojas fecharam antes das 10h45min. Proprietário de uma restaurante que funciona diariamente das 9h30min às 20h, na Praça da Alfândega, Matheus Variani projetava manter as portas abertas até às 15h. “Vou tentar servir almoço para quem ainda permanecer no Centro, mas vamos fechar, sem previsão de reabertura. Espero que as perdas materiais não sejam grandes”, disse.
O Shopping Rua da Praia encerrou as atividades às 10h41min. Proprietário de uma banca que comercializa produtos oriundos da apicultura, Rodrigo Farias corria para colocar todos os produtos em um furgão. “Vamos embora enquanto ainda dá para sair do Centro. O que estamos presenciando é terrível. A situação é crítica. As pessoas parecem desesperadas. Temo pelo pior”, desabafou.