Cidades

Situação das cozinhas solidárias da Capital é tema de debate na Câmara de Vereadores

Ausência de uma política pública mais estruturada para o fornecimento de alimentos foi um dos questionamentos do encontro

Tema foi debatido na última reunião do ano da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana
Tema foi debatido na última reunião do ano da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana Foto : Cecília Abreu / Divulgação / CP

A ausência de uma política pública mais estruturada para o fornecimento de alimentos às cozinhas solidárias e as dificuldades enfrentadas por grupos de voluntários que atuam no atendimento à população em situação de rua foram os principais temas da última reunião do ano da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (CEDECONDH), realizada na terça-feira, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre.

O encontro foi proposto pelo vereador Pedro Ruas, que é vice-presidente da Comissão, e reuniu cerca de 50 representantes de cozinhas solidárias e projetos sociais que atuam com pessoas em situação de rua. Durante a reunião, o parlamentar afirmou que acompanha o tema há anos e defendeu maior atenção do poder público à questão da fome.

“Se no século passado discutíamos se era possível doar restos de alimentos sobrados num buffet, para pessoas com fome, na atualidade buscamos não apenas os alimentos, mas também a distribuição de qualidade, pois se a fome mata, também um alimento mal conservado pode prejudicar. Mas pelo que temos conhecimento, faltam alimentos para muitos”, destacou o vereador.

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Representantes de entidades como Ação Cidadania, Consea, Comissão dos Direitos Humanos da OAB/RS, Soberania Popular da Mineração, Condepa, Pastoral dos Povos de Rua/Arquidiocese de Porto Alegre, A Fome Tem Pressa, Associação Cidadania e Combate a Fome Prato feito das Ruas relataram que ainda há pessoas passando fome na cidade.

Para Patrícia Bargmann, da Ação Cidadania, o cenário poderia ser amenizado com maior coordenação das ações. “A fome tem endereço e cor. Se concentra na periferia, atinge os pobres e, com mais, força os negros”, destacou.

Atualmente, Porto Alegre conta com 194 cozinhas solidárias. Conforme a representante da Secretaria de Inclusão Social e Desenvolvimento Humano, Carla Schmidt, foi lançado um edital para o fornecimento de alimentos às iniciativas cadastradas. Desse total, 119 cozinhas concluíram o processo. “Estamos abertos das 8 às 18h ali na João Pessoa 1105, onde podemos auxiliar aqueles que não conseguiram fazer seu cadastro por falta de algum documento”, explicou.

Carla também informou que foi firmado um convênio com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para a realização de um novo censo da população em situação de rua. Atualmente, a estimativa é de 6.420 pessoas nessa condição na capital.

A professora Jacqueline Junker Fuchs, ex-diretora da Escola de moradores em situação de rua (EPA) e da Pop Rua, defendeu a manutenção das iniciativas solidárias tradicionais no Estado. “Somos contrários a projetos que venham ingessar ainda mais possíveis apoios”, concluiu.