Equipes de resgate localizaram nesta quarta-feira (25) mais dois corpos de vítimas da queda da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, no Rio Tocantins, no último domingo, dia 22. Com isso, o número de mortes confirmadas chega a 6; 11 pessoas continuam desaparecidas.
A atuação de mergulhadores foi retomada neste feriado de Natal, apesar de o resultado das análises sobre os riscos de contaminação da água ainda não ter saído. A previsão é de que o laudo demore ao menos uma semana para ficar pronto, segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
O trabalho de buscas via mergulho havia sido interrompido no início da noite do domingo, após serem identificados riscos ambientais e à saúde. Ao todo, caminhões que transportavam 22 mil litros de defensivos agrícolas e 76 toneladas de ácido sulfúrico, produto químico corrosivo, caíram no Rio Tocantins.
O Estadão procurou o Corpo de Bombeiros do Tocantins para entender por que as buscas foram liberadas e quais medidas estão sendo tomadas para garantir a segurança dos servidores públicos, mas ainda não obteve resposta. As prefeituras de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), que eram ligadas pela ponte, informam que a população deve aguardar novos comunicados antes de usar a água do rio para qualquer finalidade.
Barcos e drones
O resgate agora está sendo feito por equipes do Corpo de Bombeiros, da Marinha e da Polícia Federal. A Marinha mobilizou 44 militares para atuar nas buscas no local, entre mergulhadores, tripulantes de aeronave, especialistas para analisar águas e efetivos de agências e capitanias dos dois Estados. Em Belém, 20 pessoas participam do planejamento e da logística.
As operações de ontem ocorreram em águas que chegam a até 40 metros de profundidade, segundo comunicado da corporação. Também participam da missão uma aeronave UH15 Super Cougar, três embarcações, duas motos aquáticas e seis viaturas.
A Polícia Federal, por sua vez, vai usar drones subaquáticos para ajudar a localizar as vítimas. O trabalho será realizado pelo Núcleo de Polícia Marítima da PF, que fará uma varredura no rio.
Uma equipe multidisciplinar, composta por cinco peritos do Instituto Nacional de Criminalística - sendo dois engenheiros civis, dois especialistas em local de crime e um especialista em meio ambiente -, ficará responsável pela elaboração de laudos.
Na terça, a PF já havia instaurado inquérito para apurar as responsabilidades pela queda da parte central da ponte. A estrutura tem 533 metros de vão e foi construída há mais de 60 anos sobre o Rio Tocantins para ligar o Tocantins ao Maranhão. Com o colapso parcial, a Polícia Militar do Tocantins acredita que ao menos quatro caminhões, três carros e três motocicletas que estavam sobre a estrutura tenham caído no rio.
Havia um contrato de manutenção para a ponte em vigência até julho de 2026, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), mas o órgão não conseguiu contratar uma empresa para fazer obras na estrutura. Em maio deste ano, a autarquia lançou um edital de R$ 13 milhões para recuperar a ponte, que apresentava danos visíveis. A licitação, no entanto, fracassou.
As obras de restauro devem custar entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, investidos pelo Governo Federal.