A Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs) apresentou, em evento interno, nesta quarta-feira, sua análise sobre pontos importantes para a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA) de Porto Alegre. A avaliação integra a proposta que será enviada pela entidade à prefeitura da Capital, para contribuir com o projeto do Plano Diretor, que deve ser enviado à Câmara de Vereadores em dezembro, segundo o Executivo municipal.
"A qualidade do debate é muito importante para que tenha a convergência das melhores visões que se tem dentro da sociedade, para consolidar um bom Plano Diretor ", avaliou o presidente da Sergs, Walter Lídio Nunes. Ele explicou que a proposta da entidade é focada na zona Sul da Capital, mais especificamente a chamada macrozona 8. "Nós estamos olhando para a zona Sul, porque as outras áreas já têm determinada maturidade de desenvolvimento, enquanto essa região é um enorme potencial, uma zona ainda desocupada em termos de concentração", explicou Nunes.
Na reunião, a apresentação foi conduzida pela vice-coordenadora da Comissão de Arquitetura e Urbanismo da Sergs, Marilu Maraschin. A arquiteta e urbanista afirmou que a estimativa é de que a zona Sul reúna 350 mil habitantes e que é preciso melhorar as condições da região. "Tem que ter oportunidades de emprego, porque as pessoas perdem duas horas para ir e duas para voltar do trabalho, na cidade Norte", defendeu a profissional.
Mobilidade e Gestão
Entre as principais áreas para melhorias na revisão do Plano Diretor, a Sergs coloca a mobilidade urbana, para conectar a cidade. "O problema da zona Sul é a falta de radiais", disse o presidente da entidade. No detalhamento feito pela arquiteta e urbanista, foi enfatizado que o município deve investir em perimetrais, principalmente, na Quarta Perimetral, que agilizaria o tráfego da zona Sul às demais regiões de Porto Alegre, além de conexões com a Região Metropolitana.
A Sociedade de Engenharia gaúcha também entende como essencial a gestão do Plano Diretor ao longo dos anos. "A crítica que a gente têm aos técnicos da prefeitura é que são aprovadores de projetos, não fiscalizadores, não planejadores", observou Marilu. A Sergs, no entanto, não defende um Plano Diretor engessado. A ideia é poder corrigir problemas, conforme ocorrerem, de acordo com as características de cada local. "Se faz Planos Diretores e, 5 ou 7 anos depois, tem ocupações desordenadas. Falta fiscalização. Não adianta ter o Plano e não ter gestão e governança", disse Nunes.