Soledade, não Norte do Estado, segue contabilizando prejuízos por causa da estiagem. Por este motivo, o decreto de emergência publicado na última semana deve ser revogado e um novo documento deve ser produzido em breve.
A cidade enfrenta uma das piores estiagens dos últimos anos, com os níveis dos mananciais hídricos drasticamente reduzidos e impactos severos na agricultura e no abastecimento de água. Diante desse cenário preocupante, o Executivo tem buscado medidas emergenciais para minimizar os prejuízos e auxiliar a população afetada.
De acordo com o coordenador municipal da Defesa Civil, Leandro Pazzin Brugnera, até o momento foram utilizados mais de 1,6 mil litros de combustível para abastecer o caminhão pipa, garantindo o fornecimento de água para as comunidades afetadas. Também foram investidos mais de R$33,7 mil na manutenção de poços artesianos comunitários, incluindo a compra de bombas e componentes essenciais para manter o abastecimento.
A chuva em Soledade segue irregular. Conforme informações da Prefeitura há locais onde não chove desde o início de janeiro. Já em outros locais foram em torno de 40 milímetros. Na estação do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) foram registrados 96,7 milímetros desde o início do ano, enquanto que o ideal é 150 milímetros no período.
Segundo laudo da Emater as chuvas irregulares começaram em meados de dezembro, o que acabou interferindo na safra de soja. A situação foi intensificada pela influência do fenômeno La Niña, vem acompanhada de sucessivas ondas de calor, com temperaturas frequentemente ultrapassando os 33°C e, em alguns dias, superando os 35°C. "Além da falta de chuvas, temos um calor excessivo que agrava ainda mais a situação, comprometendo o desenvolvimento das culturas e reduzindo a disponibilidade de água", explica o observador meteorológico Paulo Henrique Pinheiro.
As altas temperaturas aceleram a evapotranspiração da umidade do solo e impacta diretamente a produtividade agrícola. O agrônomo da Emater Roger Terra de Moraes, afirma que o calor extremo leva ao fechamento dos estômatos das plantas, paralisando a fotossíntese e resultando na queda precoce das folhas, abortamento de flores e vagens, especialmente na cultura da soja. "A fase atual de enchimento de grãos da soja é a mais sensível ao estresse hídrico, o que causa perdas significativas na produção", destaca.
As perdas agrícolas mais expressivas ocorrem nas culturas de milho (grão e silagem), soja e leite, setores fundamentais para a economia local. A bovinocultura leiteira também sofre impactos severos, pois o atraso no crescimento das pastagens de verão desde o mês passado reduziu a oferta de alimento volumoso, resultando na queda da produção leiteira.
Em algumas comunidades, a estiagem tem efeitos mais brandos, enquanto em outras a situação é crítica devido à ausência total de precipitação desde dezembro. "As perdas estimadas são irreversíveis e podem ser agravadas caso as condições climáticas adversas persistam", alerta Moraes.
A administração municipal segue monitorando a situação e reforçando ações emergenciais para diminuir os impactos da estiagem, garantindo suporte aos produtores rurais e à população. A Prefeitura de Soledade também mantém contato com órgãos estaduais e federais em busca de mais recursos para enfrentar os desafios impostos pela estiagem.
A Defesa Civil do Estado divulgou na manhã desta sexta-feira uma atualização na situação da estiagem no Rio Grande do Sul. Desde 8 de janeiro, 79 cidades relataram problemas pela falta de chuvas. Destas, 72 já registraram decretos de emergência no sistema do Estado.