O tempo está virado na América do Sul neste momento. De acordo com a MetSul Meteorologia, onde deveria fazer calor, está fazendo frio. Onde deveria estar mais frio, faz calor. Massa de ar quente atua no Sul do continente, onde o clima é ainda frio em outubro, e massa de ar frio influencia o tempo no Sul do Brasil, onde os dias já são mais quentes na climatologia da segunda metade de outubro.
Neste domingo, o Rio Grande do Sul registrou temperaturas mínimas de 1,5ºC em Soledade; 2,3ºC em Capão Bonito do Sul; 3,5ºC em São José do Ouro; 3,9ºC em Santana do Livramento; 4,1ºC em Espumoso; 4,2ºC em Quaraí, 4,5ºC em Getúlio Vargas; 4,6ºC em São José dos Ausentes e Fontoura Xavier; 4,7ºC em Ronda Alta; e 4,9ºC em Pinhal da Serra e André da Rocha.
Já em Santa Catarina, termômetros indicaram neste domingo temperaturas mínimas de 0,8ºC em Bom Jardim da Serra; 1,3ºC em Urupema; 2,6ºC em Urubici; 3,4ºC em Lebon Régis; 3,7ºC em São Joaquim; 3,8ºC em Fraiburgo; 4,0ºC em Caçador; 4,5ºC em Curitibanos; e 4,7ºC em Painel.
O Paraná anotou 2,3ºC em General Carneiro. Se no Sul do Brasil é o frio que dá a tônica, no extremo Sul do continente a temperatura está muito acima do normal para esta época do ano com marcas nos termômetros na Patagônia mais de 10ºC superiores à climatologia histórica.
Estações do Serviço Meteorológico Nacional da Argentina (SMN) registraram no sábado temperaturas máximas na região patagônica de elevados 25,6ºC em Santa Cruz; 25,0ºC em Gobernador Gregores; 24,2ºC em San Julian; 23,2ºC em Ushuaia; 22,4ºC em Calafate; e 21,5ºC em Perito Moreno.
Mais quente em Ushuaia do que em capitais do Sul do Brasil
Temperatura máxima de ontem em Ushuaia de 23,2ºC ficou muitíssimo acima da média máxima histórica de outubro na localidade argentina, que é de 10,1ºC pela climatologia do aeroporto local medida pelo SMN. Mas não apenas isso. A cidade mais austral da Argentina experimentou um sábado mais quente que duas das três capitais do Sul do Brasil, que registraram temperaturas máximas inferiores.
Em Porto Alegre, por exemplo, a temperatura máxima na estação do Instituto Nacional de Meteorologia no sábado foi de apenas 20,8ºC, abaixo da média máxima histórica de outubro de 25,2ºC. Já Curitiba teve máxima de 20,9ºC, inferior à média máxima mensal de 23,7ºC.
O contraste não foi apenas com o Sul do Brasil, mas com a própria capital argentina. A temperatura máxima do sábado na cidade de Buenos Aires foi de apenas 13,4ºC na estação de referência do observatório central, muito abaixo da média máxima do mês de 22,6ºC.
Por que os extremos de temperatura?
O que explica o tempo quente no Sul da Argentina é um padrão de onda longa na atmosfera sobre a América do Sul. Esse tipo de configuração atmosférica favorece a formação de grandes áreas de circulação de ar que podem permanecer por vários dias e provocar condições de temperatura muito diferentes.
A onda com ar frio avançou até o Sul do Brasil e, posteriormente, deslocou-se em direção ao Oceano Atlântico, com um centro de alta pressão. Tal configuração favorece a circulação de ventos que transportam ar mais frio para partes do território brasileiro, prolongando o período de temperaturas baixas.
Ao mesmo tempo, a ondulação da corrente atmosférica em sentido oposto favorece o avanço de ar mais quente pelo Oeste da América do Sul em direção às latitudes mais altas, alcançando o extremo Sul da Argentina e do Chile. Com isso, enquanto áreas do Brasil experimentam temperaturas abaixo da média, regiões mais ao Sul do continente podem registrar marcas muito acima dos valores habituais para a época do ano.
O comportamento está relacionado às ondas de grande escala que se formam na circulação atmosférica, capazes de transportar massas de ar de diferentes origens por milhares de quilômetros. Quando as ondas apresentam grande amplitude, os contrastes de temperatura podem se tornar particularmente acentuados.