A onda de calor que atinge o Rio Grande do Sul nesta semana e que deve permanecer, pelo menos, até a próxima quinta-feira (13), causa uma série de desafios para toda a população. Moradores de rua de Porto Alegre estão entre aqueles que mais sofrem com a situação e, diante da adversidade climática, buscam alternativas para suportar as altas temperaturas.
Sem acesso fácil a água potável e sombra, o desafio diário se torna ainda mais difícil nos dias de calor escaldante. A necessidade de encontrar um local minimamente mais fresco do que o sol que predomina durante todo o dia, torna a realidade insuportável.
Naiane e Lisandro, que vivem próximos à Estação Rodoviária, relatam as dificuldades para se manterem hidratados. “É uma burocracia para conseguir uma água. Onde tem uma sombra a gente vai atrás. Quando dá, procura uma água para tomar um banho. Ainda bem que tem gente que se preocupa e oferece alguma coisa. Mas conseguir uma água gelada é difícil”, conta Naiane.
Para Claudiomar, que trabalha com reciclagem carregando uma carroça pelo Centro Histórico, não há opção senão seguir no sol. “É muito difícil esse calor. Só se hidratando, senão não tem como. Mas meu trabalho não posso parar, então tem que encarar o sol. Levo frutas pra comer quando dá”, explica.
Já Kauê, também na região da Rodoviária, diz que tenta se movimentar o mínimo possível. “Eu fico deitado o dia inteiro. Eu queria era estar preso, porque, pelo menos, na cadeia tem ar-condicionado. Mas eu não peço nada para ninguém, faço o que dá para conseguir e compro com o dinheiro. O que mais nos prejudica (para ganhar coisas) são outros moradores que recebem alimentos e trocam por droga”, comenta.
Para Emerson, que na tarde quente se abrigava embaixo de uma árvore da Praça XV de Novembro, a sensação térmica extrema se tornou uma dor física. “Está difícil, esse calor chega a doer a pele”, desabafa. Sem poder trabalhar por conta de problemas de saúde, ele busca refúgio onde pode. “Onde tem uma sombra eu paro. Ontem estava terrível e tive que parar de reciclar porque estava doendo a cabeça de tão quente”, acrescenta.
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Apoio
Questionada sobre o suporte aos moradores durante condições climáticas adversas como as atuais, a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) informou que o Sistema Único de Assistência Social (Suas) é o responsável por fazer o atendimento ao cidadão, acompanhamento e o acolhimento institucional, desde o acesso aos serviços para orientação, como o primeiro atendimento durante abordagem social nas ruas. O acolhimento institucional ocorre quando a pessoa aceita acessar as casas de passagem, abrigo, casas lar e outras modalidades.
Em dias de frio ou de calor extremo, como ocorre nesta semana, equipes dos CREAS, Centros POP e Serviço Especializado de Abordagem Social realizam orientações e entregas de águas. Também há oferta dos serviços e primeiros acessos na rede - por meio de Centros POP e Albergues. Entretanto, a Fasc pontua que as orientações são permanentes e a proteção social ocorre durante todo o ano.
;MORADORES DE RUA SOFREM COM O CALOR DE PORTO ALEGRE