Cidades

Telhados viram peneira e famílias buscam refúgio sob mesas durante temporal de granizo em Itapuã

Prefeitura de Viamão distribuiu lona para mais de 300 famílias da região; manhã de sexta-feira foi de reformas no telhado de casas atingidas

Ester de Souza viu sua casa ter o telhado destruído pela chuva de granizo e tentou se proteger sob mesas durante o temporal
Ester de Souza viu sua casa ter o telhado destruído pela chuva de granizo e tentou se proteger sob mesas durante o temporal Foto : Camila Cunha

A região de Itapuã, conhecida pela sua reserva natural e praias de água doce, foi fortemente atingida por um temporal de granizo na noite desta quinta-feira, causando estragos em centenas de casas. Além da localidade, também foram atingidos outros bairros da cidade, como Capão da Porteira, Águas Claras e Morro Grande. Em Itapuã, o ponto mais atingido foi o Horto das Oliveiras, que fica nas proximidades da Colônia de Itapuã.

De acordo com o subprefeito da região, Luis Augusto Carvalho, até o final da manhã, o último levantamento realizado pelas equipes da Defesa Civil Municipal indicava que lonas já haviam sido entregues para mais de 280 famílias. Após o levantamento, as equipes seguiram distribuindo lonas para dezenas de outras casas e o número de famílias que receberam suporte teria passado de 300 desde que a Defesa Civil foi mobilizada, logo após o temporal.

“Estamos desde a noite de ontem (quinta-feira) trabalhando. O prefeito também esteve na região para fazer uma avaliação da situação que a gente tá passando. Foi uma chuva de granizo muito intensa, com pedras do tamanho da palma da mão. Então o estrago inicial foi grande, prejudicando o telhado de muitas casas. Só que após o granizo veio uma pancada forte de chuva e molhou muito as casas”, contou o subprefeito.

Uma das casas mais atingidas foi a de Ester de Souza, de 20 anos, que mora na rua 10, no Horto das Oliveiras. Segundo a jovem, que está grávida, uma das pedras a atingiu na cabeça e outra caiu em sua barriga. “Machucou também as crianças. Tivemos que esconder elas em baixo da mesa da cozinha. Quebrou algumas coisas da casa. A nossa televisão molhou, as camas também. Foi tudo muito feio mesmo”, contou a moradora.

Na mesma rua, a casa de Paulo Roberto de Souza, de 33 anos, também foi uma das mais atingidas. Na manhã desta sexta-feira, ele ainda estava limpando a casa, que ficou tomada por poças de água e restos das telhas quebradas. “Agora que parou de chover é que nós vamos conseguir limpar. Ontem, na hora da chuva, só deu tempo de colocar as crianças no banheiro, que é mais reforçada. Molhou tudo, móveis, cama e mais. A televisão não ligou, nem a geladeira. Só um ventilador que não deixou de funcionar”, lamentou.

Em ambos os casos, as famílias manterão a lona distribuída sobre a casa, pois relataram não ter condições de adquirir um telhado novo no momento. A subprefeitura de Itapuã participará de uma reunião com a Defesa Civil Municipal e a Prefeitura de Viamão para planejar as futuras ações de assistência às famílias atingidas pela chuva de granizo.

Quiosque recém-construído virou peneira

Já na estrada principal do Itapuã, a estrada Frei Pacífico, a moradora Élia Barcelos, 61 anos, que reside há 43 anos na região, viu as duas casas, o galpão e mais um quiosque que foram construídos no terreno da família tornarem-se peneiras após a chuva de granizo. “Parecia que o mundo veio abaixo”, relatou a senhora. Segundo ela, as pedras de gelo quebraram o telhado de uma das casas, mas não passaram pelo forro. Entretanto, na manhã desta sexta-feira, a água que formou o granizo derreteu e seguia pingando sobre os móveis.

Já na outra casa, que pertence ao filho, uma das pedras passou pela barreira do forro e caiu sobre a cama do neto. Ela conta que as pedras eram do tamanho de uma bola de tênis. Entre as casas, em uma área de lazer com piscina, o telhado de um quiosque ficou destruído, repleto de buracos formados pela queda do granizo. Élia relatou ainda que a estrutura foi construída há poucas semanas e havia sido inaugurada pela família nas festas de final de ano. Durante a manhã desta sexta, a família já estava realizando a troca dos telhados das duas casas.

“A gente via um monte de raio no céu. Começou a escurecer e, logo depois, caíram as pedras. Uma maior que a outra, do tamanho de um ovo de galinha. Depois foi muita chuva. Dentro de casa molhou tudo: sofás, roupas de cama, colchões. Os abajures ainda estão cheio de água. Eu não consegui dormir desde o temporal. Fui muito assustador. Em todo esse tempo que eu moro aqui, nunca tinha visto algo parecido”, finalizou.