Cidades

“Toda vez que chove, ficamos dois dias com as ruas alagadas”, relata morador do Lami

Ruas situadas no bairro do extremo Sul de Porto Alegre convivem com alagamentos das vias a cada chuva, mesmo distante do Guaíba

Morador da rua Manoel Vieira da Rosa mostra o único ponto de escoamento de água na rua
Morador da rua Manoel Vieira da Rosa mostra o único ponto de escoamento de água na rua Foto : Mauro Schaefer

Conhecido por ser um local de veraneio, com uma bela praia de água doce banhada pelo Guaíba, o bairro Lami, no extremo Sul de Porto Alegre, foi devastado pelas enchentes que atingiram o Estado durante o mês de maio. Principalmente nas regiões mais próximas da praia, a força da água deixou casas em ruínas e um rastro de destruição.

Há, porém, distante da região banhada pelo Guaíba, uma comunidade que também é castigada pelos episódios climáticos. Pior do que isso, conforme os moradores, é o fato de o problema ser recorrente e afetar milhares de pessoas a cada vez que a Capital registra um volume maior de chuva.

A situação em questão ocorre nas ruas Dois e Manoel Vieira da Rosa, além das vias adjacentes. Conforme o técnico de refrigeração Fernando Goltschalg, de 34 anos, o problema acontece por conta da falta de escoamento da água. “Toda vez que chove, ficamos dois dias com as ruas alagadas. Só tem um bueiro, que é a única saída que tem para toda a água que alaga as ruas”, relata.

Segundo ele, o bairro ainda não está regularizado, mas diversas moradias estão no local há mais de 20 anos e existe o interesse dos moradores em fazer a regularização e fazer o pagamento dos impostos, para que possam ser realizadas melhorias.

Goltschalg conta que as casas das ruas afetadas são construídas, geralmente, em um nível superior ao da rua, porém, ainda assim, os moradores acabam afetados. “Não podemos comprar móveis novos, porque, se chover estragam. Quando chove as crianças não podem ir para a escola e alguns deixam de trabalhar. Eu, particularmente, não pude sair na semana passada porque a água estava na metade da roda do carro”, conta.

Na tarde de domingo já não havia mais alagamento na rua, mas o barro e as diversas poças d’água ainda eram visíveis em diversos pontos. Conforme a dona de casa Rafaela Censi, 34 anos, a percepção da comunidade é de que, a cada chuva, o alagamento aumenta. “O pessoal está colocando bombas nos pátios para escoar as águas. Na casa dos meus pais, na última vez, entrou água até a altura do joelho. Parou de chover no final da semana, mas a rua só secou no sábado. E a cada chuva, infelizmente, piora”, conclui.

A Prefeitura informa que a rua Manoel Vieira da Rosa, com início na Estrada Otaviano José Pinto e fim na Rua Dois Estrada Otaviano José Pinto, não é licenciada pelo Plano Diretor. Portanto, há uma restrição quanto às obras públicas que podem ser executadas no local. No âmbito da infraestrutura viária, seria necessário um projeto para desenvolver redes de esgoto cloacal, pluvial, bocas-de-lobo, meios-fios e pavimento - e isso só é possível quando a situação da via estiver regularizada.

Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), o trâmite deve ser iniciado por meio do Portal do Licenciamento (https://prefeitura.poa.br/carta-de-servicos/escritorio-de-licenciamento-cadastramento-de-logradouro ). Já a Secretaria de Serviços Urbanos (SMSUrb) informa que a rua Manoel Vieira da Rosa está no cronograma periódico de conservação das vias. Após a enchente de maio, o local recebeu serviços de patrolamento, aplicação de material e compactação.