Cidades

“Todas vidas importam”: alunos e professores da Ufrgs ajudam no resgate de animais de grande porte

Professor de Medicina Veterinária, André Dalto, relata as dificuldades deste tipo de resgate e o atendimento feito após o salvamento

Grupo da Ufrgs se juntou a voluntários para resgatar animais de grande porte em áreas alagadas
Grupo da Ufrgs se juntou a voluntários para resgatar animais de grande porte em áreas alagadas Foto : André Dalto/Especial/CP

Um dos temos utilizados nas redes sociais em publicações sobre resgates, principalmente de animais, durante as enchentes no Rio Grande do Sul é o “todas vidas importam”. Apesar dos muitos registros de cães, gatos e aves, outros animais de grande porte também estão entre os animais salvos por equipes de voluntários e agentes de segurança. O mais famoso deles é o cavalo Caramelo, resgatado em Canoas.

Entretanto, segundo o professor de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), André Dalto, especialista em grandes animais, muitos outros “Caramelos” também aguardavam para serem salvos durante a calamidade vivida no RS. Além de equinos, uma equipe de professores e alunos do curso também auxiliam no resgate de bovinos e suínos. Fora o trabalho de salvamento no local inundado ou ilhado, os animais também recebem tratamento especial no Hospital de Clínicas Veterinárias da Ufrgs, no bairro Agronomia, em Porto Alegre.

“Temos alunos e professores da universidade colaborando em diferentes pontos. Durante os resgates, principalmente de animais menores, os voluntários viram que tinham muitos cavalos quase submersos, então começamos a ajudar também nestas operações. Todo o resgate é feito com trabalho de voluntários. Depois de atravessar o Guaíba em direção às ilhas e Eldorado do Sul e buscar os animais, eles recebem um primeiro atendimento na própria Orla e depois são encaminhados ao hospital da Ufrgs”, explicou Dalto.

O professor conta ainda que, para que o animal seja trazido para uma área segura, ele precisa ser anestesiado antes de entrar no bote. Tal operação de salvamento oferece riscos aos animais, por isso são levados para atendimento no hospital. “Lá tem uma equipe só para fazer esse tratamento intensivo. Os animais recebem atendimento e medicação para pneumonia, nebulização, cuidados com as feridas na pele e até fisioterapia”, completou.

Ao todo, são oito pessoas, entre alunos e professores, ajudando nos resgates e outras 10 no hospital. Inicialmente, o foco dos salvamentos foi a região das ilhas. Depois, o grupo ajudou também no bairro Sarandi, na zona Norte da capital. “Tem muitos equipes que foram colocados em áreas mais altas para sobreviverem, mas agora estão ilhados e sem comida. Estamos indo nestas áreas para levar alimento ou mesmo buscá-los”, citou.

Nestes pontos mais altos, Dalto relata que alguns moradores que tentaram ficar em casa durante a enchente estão ajudando os animais, mas, ainda assim, as condições não são as melhores para os bichos. “Temos notado que muitos estão com pneumonia ou lesão de pele, por conta do contato por muito tempo com a água. Mesmo recebendo comida e água, estes animais estavam em condições precárias. Eles são guerreiros por resistirem por tanto tempo. Alguns deles, o pessoal do hospital nos fala que estão arredios. Mas, no resgate, os próprios animais colaboravam bastante no manejo, tamanha vontade de serem salvos”.

União de esforços para salvar todas as vidas

Especialista em animais de grande porte, Dalto entende que existem dificuldades e cuidados especiais no manejo de cavalos, bois e porcos. Entretanto, ele aponta que, na hora de ajudar, mesmo os voluntários mais leigos entenderam rápido as instruções para salvar os animais. “Fiquei impressionado com a colaboração de todos. Instruídos e guiados por um técnico, eles pegaram muito bem as orientações. São pessoas que vieram do Brasil todo para nos ajudar. E a quantidade de veterinários voluntários também é grande. Muito bom esse espírito que se criou”, falou.

Questionado se há uma preocupação maior com os equinos por conta da cultura do gaúcho e sua conexão com o animal, Dalto ressalta que, durante a ação dos voluntários, todo animal importa. “Eu vi o pessoal se preocupando da mesma maneira com todos. Na hora de ajudar, os voluntários resgatavam até lagarto e capivara, que são animais acostumados com a água”, brincou.