A passagem de um tornado que deixou um rastro de destruição no Paraná, no dia 7 de novembro, voltou a expor a vulnerabilidade das cidades brasileiras diante de eventos climáticos extremos, especialmente na Região Sul, mais propensa à ocorrência desse tipo de fenômeno devido à combinação de massas de ar quente e úmido com correntes de ar frio vindas do sul do continente.
Especialistas alertam que o país precisa fortalecer sua estrutura emergencial, com Defesas Civis equipadas, tecnologia adequada e planos de contingência compatíveis com a realidade de cada município, mas também formar uma população preparada para agir com autonomia em situações de risco.
Para Danielle Paula Martins, coordenadora do Laboratório de Vulnerabilidades, Riscos e Sociedade da Universidade Feevale e integrante do Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do RS, a chamada autonomia climática — a capacidade de compreender, reagir e tomar decisões diante de ameaças — é tão essencial quanto os investimentos em infraestrutura e gestão pública.
“É fundamental que a população esteja mais formada para ter autonomia climática. É preciso entender o que é uma previsão meteorológica e saber que, mesmo que ela não seja totalmente assertiva, é um indicativo de atenção”, afirma Danielle.
A pesquisadora lembra que eventos extremos inevitavelmente geram medo e trauma, como ocorreu com as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, mas reforça que a educação é um instrumento importante para transformar essa sensação em preparo. “A informação e o conhecimento reduzem a sensação de insegurança e ajudam as pessoas a tomarem decisões corretas nos momentos críticos”, completa.
Outro episódio recente que trouxe danos a quase 40 municípios e causou uma morte no RS foi a passagem de um ciclone extratropical pelo Estado. O fenômeno causou chuvas intensas e ventos fortes.
Da sala de aula ao saber ancestral
Ao compreender o significado dos alertas meteorológicos e das previsões do tempo, crianças e jovens tornam-se multiplicadores de informação, levando o aprendizado para suas famílias e fortalecendo a cultura de prevenção. Além disso, incluir temas como mudanças climáticas, gestão de riscos e cuidado ambiental no currículo contribui para formar comunidades mais conscientes e preparadas.
Danielle também destaca a importância de resgatar o conhecimento ancestral sobre o clima, preservado há séculos por povos indígenas e comunidades tradicionais, que observam atentamente o ambiente e reconhecem sinais de mudança com precisão. Esse saber, afirma ela, pode complementar a ciência moderna e inspirar novas formas de adaptação e proteção diante dos eventos extremos.
“Os povos indígenas são muito atentos e conectados ao que ocorre ao redor e conseguem reagir, inclusive preservando suas vidas. Talvez nas cidades tenhamos nos tornado tão distantes do meio ambiente que deixamos de perceber os sinais”.
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O que mais pode ser feito
Entender os riscos e reconhecer os sinais podem ajudar a população agir diante de uma situação de emergência. Esses conhecimentos aumentam a segurança de toda a comunidade e ajudam a reduzir perdas e danos.
No site da Defesa Civil do RS é possível encontrar guias com dicas para agir em diferentes casos, como vendavais, estiagem, granizo e inundação. Clique aqui para acessar.
Algumas medidas práticas incluem:
- Procurar abrigo interno, preferencialmente em cômodos sem janelas, durante tempestades ou ventos fortes;
- Evitar veículos, áreas abertas e estruturas frágeis, como galpões e telhados metálicos;
- Montar um kit de emergência com água, alimentos não perecíveis, lanterna, rádio, medicamentos essenciais e documentos importantes;
- Acompanhar e seguir os alertas oficiais, emitidos pela Defesa Civil e pelos institutos meteorológicos;
- Manter a calma e agir de forma organizada, compartilhando informações confiáveis com familiares e vizinhos.