Seguem os trabalhos de contenção do dique do Sarandi, na zona Norte de Porto Alegre, e, ao menos nos trechos em obras, o trabalho está bastante adiantado. Na manhã desta quinta-feira, caminhões trabalhavam na área, removendo entulhos. A etapa de reforço e elevação da cota no local iniciou no último dia 25, ou seja, há uma semana, e as obras no chamado segundo trecho haviam iniciado em 27 de junho, após autorização da Justiça. Há ainda, no entanto, ao menos três moradores nos fundos deste local que ainda não conseguiram sair, por um impasse envolvendo a Caixa e o Departamento Municipal de Habitação (Demhab), segundo um deles.
Luciano dos Santos Ribeiro, ajudante de carga, afirma que sua situação não está definida, mesmo constando na lista da compra assistida. Conforme ele, ainda não haveria autorização pra ele deixar a casa. “Ainda não está acertado para onde eu devo ir, por isso continuo aqui”, comentou o morador. Há algum tempo, inclusive a humilde casa de madeira onde ele mora, e onde há nos fundos um galpão onde mantém alguns cavalos, incendiou, porém vizinhos conseguiram quebrar a cerca, entrar no local e utilizar água da casa vizinha para apagar as chamas antes que consumissem o imóvel, construído em meio dique, assim como diversos outros.
Trabalhos de reconstrução do Dique do Sarandi
A maioria dos demais já foi retirada e seus moradores, acolhidos. Entre os demais que ainda não puderam sair, estaria também uma família com um bebê recém-nascido. A remoção das casas desocupadas foi feita pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), enquanto o plano de trabalho no dique em si foi dividido em três fases. A primeira, que compreende 1,1 quilômetro de dique entre as casas de bombas 9 e 10, foi concluída em janeiro.
A segunda, que está em andamento, tem prazo de conclusão de três meses, a depender das condições climáticas. A terceira fase, que compreende mais dois quilômetros, ainda está em aberto. projeto geotécnico da obra, elaborado pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), prevê a elevação da cota da estrutura a 5,80 metros, fazendo com que a proteção será equivalente às enchentes históricas no rio Gravataí.
O reforço será por meio da compactação de argila, em camadas, e da construção de um talude. O Demhab afirma que as 57 famílias que viviam na área do segundo trecho estão elegíveis ao Compra Assistida, do governo federal, para aquisição de imóveis de até R$ 200 mil. Todas também estão recebendo o auxílio Estadia Solidária, no valor mensal de R$ 1 mil, destinado a ajudar nos custos com moradia temporária até a efetivação das soluções definitivas.