Moradores de Gravataí que trabalham na capital e que dependem diariamente do transporte público metropolitano para chegar aos postos de trabalho reclamam da baixa oferta de ônibus no início da manhã e final de tarde, especialmente aqueles que fazem a linha Gravataí-Anchieta e Aeroporto-Gravataí. O metalúrgico Esequiel Soares é um dos trabalhadores que se sente prejudicado com os poucos horários oferecidos pela empresa que atende a região. Segundo ele, antes da enchente de maio, havia ônibus da linha Anchieta que passava na parada 60, da avenida Dorival Cândido, nos horários das 5h50, 6h10 e 6h15.
"Hoje, o único ônibus que passa cedo é um semidireto da empresa Sogil que chega lotado às 6h25. Depois dele, os próximos só a partir das 6h35. Nós que trabalhamos na região da Anchieta, em Porto Alegre, e entramos no trabalho as 7 horas, se dermos o azar de não conseguirmos lugar no primeiro semidireto, chegamos atrasados no serviço toda a semana." Ele admite que por conta dos atrasos corriqueiros tem tido o salário descontado no final do mês, o que acaba prejudicando a renda familiar. Além disso, ele reclama da falta de cortina nas janelas e corda da campainha danificada na maioria dos veículos.
No retorno de Porto Alegre para Gravataí, a situação se repete. Segundo Soares, o ônibus para Gravataí passa na região do Aeroporto após as 17h35. "Isso nos obriga a pegar o único ônibus às 16h56, que é um Transcal de Cachoeirinha (linha Granja Bethânia/Anchieta) aí precisamos a fazer baldeação em Cachoeirinha e pagar duas passagens até chegar em casa." Essa baldeação também é compartilhada pela recepcionista Abigail Monteiro, que embarca no Aeroporto em direção a Gravataí. Caso contrário, ela chegaria em casa quase três horas depois de sair do serviço. "Um absurdo. Eu acredito que por respeito ao trabalhador as empresas deveriam sim colocar mais ônibus para circular em horário de pico."
O responsável pelo setor de Planejamento Operacional da Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), Danilo Landó, reconhece que extinção de queda de linhas e horários diante da queda de passageiros após as enchentes de maio no RS. "Essa redução não aconteceu apenas em Gravataí e Cachoeirinha. Há reclamações de oferta de horários em cidades como Eldorado do Sul, por exemplo, onde muitos moradores ainda nem voltaram para casa. Os horários existem de acordo com a demanda", disse. Especificamente na parada 60, de Gravataí, Landó explica que a empresa disponibiliza dois horários antes das 6 horas no trecho que atende o bairro Anchieta: às 5h42 e 5h46.
"De acordo com a bilhetagem, o ônibus das 5h46 transporta no mínimo 18 passageiros e no máximo 70. Essa é uma linha comum, com capacidade para 46 passageiros sentados." O coordenador do setor destaca que vai deslocar um agente para averiguar a situação e disse que existe a possibilidade de implantar um horário teste para verificar o número de passageiros que vai utilizar-se da viagem. Landó ainda enfatiza que o telefone da Ouvidora para reclamações (0800 510 4774) está inoperante há mais de um ano e que os usuários devem fazer as queixas sobre o transporte público pelo e-mail: atendimentoaousuario@metroplan.rs.gov.br