Com uma temperatura que ultrapassa os 30ºC, mas com sensação térmica bem maior, Porto Alegre tem passado por dias de onda de calor, que deve se estender até o final da semana. Nesta quinta-feira, a Capital atingiu a máxima de 32ºC. As pessoas que trabalham diariamente sob o sol escaldante têm buscado alternativas para suportar o calor intenso.
É o caso da confeiteira Tatiara Viana, de 29 anos. Há um ano, vende doces, salgados e suco natural. Ela produz os alimentos pela manhã e sai para vender apenas à tarde, às 13h30min, quando o sol está mais forte, percorrendo diversas ruas do Centro Histórico. Sua principal estratégia é andar por uma quadra e parar na sombra, em intervalos de 15 minutos.
"É doloroso. Eu começo a atender bem no forte do sol. O jeito é carregar água, uma toalhinha e indo pelas sombras, sempre com protetor e boné", relata. "Ando uma quadra e descanso uns 15 minutos, porque está muito quente no sol".
Tatiara tem sentido que, nos últimos dias, o calor está mais forte do que o normal. "Na semana passada, eu peguei uma insolação. Chegou doer a pele. No final da tarde, comecei a passar mal devido ao calor", lembra a profissional. "Mas não tem o que fazer. Tem que ir para luta, né?"
O canalizador Wesley da Silva Gomes, que trabalhava nesta quinta-feira na calçada da avenida Julio de Castilhos, no Centro Histórico, é paraense, mas está surpreso com o calor da Capital. "Tem que se hidratar um pouco mais, tomar bastante água. Uso capacete, e protetor passo bastante. E fiicar na sombra quando dá. Mas está muito quente", reconhece. Hoje, a equipe de trabalho começou as atividades apenas ãs 14h30min, justamente por conta do calor. "Fora isso, só tem que se cuidar bastante", complementa.
Estado vive escalada na temperatura, exigindo cuidados redobrados
De acordo com a MetSul Meteorologia, a temperatura registra uma escalada no Rio Grande do Sul desde o início do mês de fevereiro, e segue aumentando. As máximas mais extremas devem seguir concentradas na Metade Oeste gaúcha. Nesta sexta-feira, o calor será extremo no Oeste do estado, com máximas de 38ºC a 41ºC, mas em alguns municípios as marcas nos termômetros podem atingir até 41ºC ou 42ºC.
A Secretaria municipal da Saúde alerta que, entre os principais problemas registrados nesse período do ano, está a desidratação, que ocorre quando o organismo perde mais líquidos do que recebe, principalmente por meio do suor ou da urina, provocando um desequilíbrio no funcionamento do corpo e podendo causar desde sintomas leves até quadros mais graves.
De acordo com a médica clínica do Centro de Saúde Santa Marta, Raissa de Moura, a desidratação pode afetar diretamente a pressão arterial e o bem-estar geral. “A desidratação pode levar à pressão mais baixa, tontura e mal-estar, tudo decorrente da falta de líquido no nosso corpo”, explica. Os sintomas podem ir desde transpiração excessiva, tontura, mal-estar e pressão baixa, até vômitos, diarreia e, em situações mais graves, como desmaios.
A atenção deve ser redobrada, principalmente em idosos, crianças, gestantes e a população em situação de rua. A pasta orienta a adoção de cuidados adicionais nos dias mais quentes, como evitar a exposição ao sol nos horários de maior intensidade, entre 10h e 16h, e permanecer em ambientes frescos e bem ventilados sempre que possível.