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Tradição herdada do pai faz caseiro transformar o Acampamento Farroupilha em moradia há 16 anos

Aos 61 anos, caseiro do Piquete do Esgualepado mantém rotina no Parque Harmonia desde 2010

Nairo Miguel Campos participa do Acampamento Farroupilha desde 2010
Nairo Miguel Campos participa do Acampamento Farroupilha desde 2010 Foto : Fabiano do Amaral

Durante cerca de 40 dias por ano, a casa de Nairo Miguel Campos, 61 anos, deixa de ser a residência onde passa o restante do ano e passa a ser um galpão montado no Parque Harmonia, em Porto Alegre. Desde 2010, ele participa do Acampamento Farroupilha no Piquete do Esgualepado, da Lomba do Pinheiro, onde é caseiro e fica responsável pelo espaço no Parque Harmonia, na ausência do patrão, Ademir Feijó Dutra.

A relação de Campos com o tradicionalismo, porém, começou antes do piquete. Foi o pai, já falecido, quem despertou nele o interesse pelas tradições gaúchas. A partir daí, vieram as amizades e a ligação com o Esgualepado, que fizeram com que o Acampamento passasse a ocupar uma parte fixa do calendário. “Foi através de uma amizade que passei a participar do piquete, mas o que me trouxe mesmo foi o meu pai, já falecido. Ele que gostava muito da tradição gaúcha e eu herdei essa paixão”, conta.

Desde então, Campos conta que não falta a uma edição. São 16 anos participando do evento no Harmonia, mas a tradição também é mantida no restante do ano, frequentando a sede do piquete.

Durante o dia no Acampamento, a rotina varia conforme a movimentação. Há momentos de maior circulação, quando amigos e visitantes chegam para conversar, preparar um churrasco ou participar das atividades do piquete. À noite, quando o movimento diminui, ele permanece sozinho no galpão.

O Esgualepado é aberto para receber visitantes, mas não funciona como um restaurante. O espaço não comercializa refeições e não tem como objetivo obter lucro. A manutenção do piquete ocorre a partir do esforço dos próprios integrantes e do consumo realizado pelos frequentadores.

Para aqueles que querem utilizar a estrutura para o tradicional churrasco, o local permanece disponível. As refeições também são organizadas conforme o número de pessoas previsto para cada dia. O ambiente comporta grupos menores e a programação é combinada antecipadamente entre Campos e o patrão.

Na cozinha, a carne costuma ser protagonista, mas há espaço para variar. Costelão, carreteiro e outros pratos são preparados conforme a agenda. Em alguns momentos, Campos também busca fugir do cardápio tradicional de carne. “Às vezes fizemos até uma sopa para sair um pouco da carne”, conta.

A rotina também é marcada pelas amizades renovadas a cada ano. Para o caseiro, as relações construídas ao longo dos anos fazem parte da experiência de viver no Acampamento. “Eu me emociono ao falar sobre o que vivo aqui. É como se as pessoas virassem parte da nossa família. É muito bom”, afirma.

A história do Piquete do Esgualepado começou antes da chegada de Campos. Segundo o patrão Ademir Feijó Dutra, a estrutura foi criada em 1996. “Começamos com um grupo de motociclistas que decidiram acampar no Harmonia. A gente vinha para cá e montava barracas naquela época”, relembra Dutra.

Ao longo de mais de três décadas, o grupo manteve a ligação com o Acampamento e também com a sede do piquete, localizada na Lomba do Pinheiro. Segundo Dutra, cerca de 100 pessoas circulam pelo espaço e também frequentam o sítio ao longo do ano.

Para o patrão, a permanência no Acampamento representa a continuidade de uma tradição construída ao longo de décadas. “Viemos para cá todos os anos, com sol, chuva, temporal ou raios, independentemente do clima, para manter essa tradição”, conclui.

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Acampamento Farroupilha. Piquete do Esgualepado, Lomba do Pinheiro: Nairo Miguel Campos, 61 anos e patrão Ademir Feijó Dutra | Foto: Fabiano do Amaral