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Trecho para banhistas segue interditado na praia do Cassino

No local, de aproximadamente dois quilômetros há lama. Barreiras de areia foram colocados no local

Não há um prazo específico para que a lama seja coberta por areia
Não há um prazo específico para que a lama seja coberta por areia Foto : Iago Plamer Leal / Secretaria Municipal do Cassino / CP

Segue interditado para banhistas, o trecho de cerca dois quilômetros na praia do Cassino, em Rio Grande, entre a região da rua Rio de Janeiro até as proximidades do canal de drenagem Farroupilha. O secretário Municipal do Cassino, Miguel Satt, esclarece que a medida é válida somente para banhistas. "Os carros podem passar pelo local, onde foram colocados marachas (pequenos muros de areia utilizados para isolar a área), mas também não recomendamos o trânsito de veículo", explica.

Ele confirma que segue monitorando a situação. "Colocaremos uma placa no local, pois é impróprio para banho por conta da lama", diz.

A professora do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal de Rio Grande (Furg), Elaine Siqueira Goulart, destacou que não há um consenso sobre a origem da lama. Há duas hipóteses, uma é que ela sai naturalmente da Lagoa dos Patos e a outra é que ela é produzida pelo processo de dragagem. "E não sabemos se há contribuição de ambos", completa.

A lama fica nas partes mais profundas e vai para a praia quando há tempestades. "Quando ocorrem ondas maiores, este depósito pode ir para a praia subaérea, ou seja, fora da água, mas, na verdade, nenhuma das duas teorias está provada", completa.

A lama acaba, com o tempo, sendo coberta por areia e lavada pelas ondas. "Mas não há um prazo exato para que isto ocorra", relatou.

A Portos RS em nota lembrou que o fenômeno também ocorreu no ano passado, período em que não havia dragagem em execução. "O evento está associado à dinâmica natural da região. Diante desse contexto, a Portos RS reforça que o fenômeno possui origem ambiental e hidrodinâmica, não estando relacionado às operações de dragagem", garantiu.

A autoridade portuária confirmou manter um programa contínuo de monitoramento, que permite acompanhar em detalhes o comportamento do bolsão de lama, da área de despejo de sedimentos e das condições operacionais das dragas, garantindo total conformidade ambiental. O compromisso foi assumido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), no âmbito da Licença de Operação, sendo realizado o monitoramento contínuo do bolsão de lama localizado na parte subaquosa da Praia do Cassino, bem como do sítio de despejo de sedimentos dragados.

O trabalho é conduzido em parceria com a FURG, no contexto do Sistema de Monitoramento da Costa Brasileira (SiMCosta). "As operações de dragagem atualmente em execução seguem rigorosamente todas as condições estabelecidas pelo IBAMA. Não foram identificadas desconformidades na operação das dragas nem no descarte de sedimentos. O órgão ambiental realiza acompanhamento constante, reforçando a segurança e a transparência do processo", finaliza a nota.

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