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Trechos de ruas de Montenegro seguem alagadas e Prefeitura prepara monitoramento de manchas de inundação

Cidade abriu três abrigos: uma para as pessoas, outro para animais e um para guardar os móveis retirados das casas em áreas de risco

Joenilson de Lima preferiu não arriscar, desceu da bicicleta e fez o trajeto que precisava com a água na canela
Joenilson de Lima preferiu não arriscar, desceu da bicicleta e fez o trajeto que precisava com a água na canela Foto : Alina Souza

O município de Montenegro, no Vale do Caí, vive nesta quinta-feira um dia de contabilização dos prejuízos causados pelo temporal dos últimos dias. Áreas alagadas, especialmente nos bairros Industrial e parte do Centro, às margens do rio Caí, estão espalhadas por algumas ruas e pátios das residências. Na rua Coronel Apolinário de Moraes, o aposentado Adão Ferreira disse que estava bem, porém o pátio de sua casa estava cheio d’água, assim como a via em frente. Parte do problema ocorre porque neste ponto, segundo ele, há bocas de lobo entupidas.

“Moro aqui há 40 anos e já pegamos muita enchente maior do que esta. Acho que o asfalto foi feito muito baixo, então isso acaba acontecendo. Aqui em frente tem várias casas abandonadas depois das cheias de 2024”, disse ele.

As enchentes de dois anos atrás superaram 11 metros de altimetria sobre o rio Cai; desta vez, a marca alcançou o pico de 6,85 metros, e o curso d’água está estável. O pedreiro Joenilson de Lima contou que veio da Paraíba há seis meses para trabalhar na obra de uma creche, e disse já ter morado na mesma via. Ele filmava a situação da rua para publicar nas redes sociais.

“Amanhã eu volto a trabalhar e lá vamos ter que limpar o barro, porque certamente vai ter”, contou Lima, que empurrava uma bicicleta e resolveu não seguir pela via pelo risco de queda.

Mais adiante na rua Álvaro de Moraes, que margeia o rio, Isolete Camargo Cruz e Fabiano Pinto Lumertz, mãe e filho, ambos pensionistas, estavam ilhados na casa em que pagam aluguel. O cão da família, Fred, estava circulando próximo, mas fora da água.

“Estamos bem, porém se viessem para retirar a gente, iríamos. Eu tenho problemas de saúde, sou asmática, e tenho medicamentos aqui. Quando começa a chover ficamos já bastante angustiados”, salientou ela.

Montenegro não tem desabrigados ou desalojados, devido a esta enchente ser de “pequeno porte”, permanecendo a água em áreas de amortecimento, segundo Valéria Wollmann, assessora especial da Secretaria Muncipal de Gestão e Planejamento. No entanto há preocupação com a próxima semana, quando há previsão de mais chuvas.

A Prefeitura está contratando um sistema de georreferenciamento e monitorando manchas de inundação. A administração já tem mapeado que a partir da cota 7 metros a água costuma invadir as residências mais baixas.

Para este cenário, o município estruturou uma logística para eventualmente encaminhar moradores a três ginásios: um exclusivo para pessoas, outro para o abrigamento de animais, e um terceiro voltado para guardar os móveis retirados das casas em áreas de risco.

“Teremos uma previsão de duas horas para a frente de onde estará indo a água. Isso tudo para a população conseguir se organizar para sair das casas”, comentou ela.

Para a semana que vem, talvez estará pronta apenas a consulta pública das manchas de inundação. Inclusive, o município tinha agendada para o período uma audiência pública para apresentação do Plano de Contingência Municipal, porém uma nova data deve ser definida.

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