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Trensurb retoma circulação de trens em todas as 22 estações

Retomada ocorre após 15 meses de reconstrução e transtornos operacionais devido às enchentes

Trensurb retoma circulação de trens em todas as 22 estações
Trensurb retoma circulação de trens em todas as 22 estações Foto : Fabiano do Amaral

A Trensurb retomou neste sábado a circulação dos trens em todas as suas 22 estações, diariamente das 5h às 23h e sem a necessidade de integração com o transporte por ônibus. A retomada ocorre após 15 meses de reconstrução e transtornos operacionais devido às enchentes de 2024.

O serviço complementar de ônibus vinha sendo utilizado desde janeiro entre as estações Mercado Público (Porto Alegre) e Mathias Velho (Canoas), de segunda a sábado após às 20h, e também durante todo o dia nos domingos e feriados. Isso porque as obras de recuperação nesse trecho da via férrea só podiam ser realizadas com os trens parados. A conclusão dos trabalhos estava prevista para o final de setembro, mas graças a esse procedimento o trajeto integral do sistema pode ser entregue de forma antecipada.

Um dos que fazia o trajeto de ônibus é Douglas Lima, que trabalha em uma empresa de segurança privada. Na visão dele, os transtornos da operação complementar foram mitigados porque as obras ocorreriam no horário noturno.

“Óbvio que nada é melhor do que o trem, mas é preciso ressaltar que a decisão da Trensurb de fazer as obras durante o turno da noite foi muito boa. Isso porque é um horário que se caracteriza por já ter um número reduzido de passageiros. Não houve problemas de superlotação de vagões. O que as vezes gerava algum incômodo era o trânsito de Porto Alegre para a Região Metropolitana”, avaliou o trabalhador.

Com investimento de quase R$ 59 milhões, os contratos das obras na via férrea abrangem, além dos materiais utilizados, a recuperação da infraestrutura das vias principais e do pátio de estacionamento de trens, localizado no bairro Humaitá, na zona Norte de Porto Alegre.

Ao todo, são 20 quilômetros em reconstrução, e as intervenções na via já alcançaram 80%. As obras agora prosseguem no horário normal de manutenção, ou seja, somente após o encerramento da circulação dos trens. Não há transtornos ao usuário.

A reconstrução e modernização da via férrea também materiais cujo custo de aquisição chegou a R$ 20,4 milhões. Foram utilizados 44 mil metros-cúbicos de brita, quantidade suficiente para encher quase 18 piscinas olímpicas.

Para sustentar os trilhos, 11 mil dormentes foram substituídos. A fixação dessas peças exigiu 36 mil parafusos com porcas, além de 36 mil calços isolantes e 18 mil palmilhas de borracha.

Tão fundamental quanto a própria via férrea é a reconstrução do sistema de energia de tração, que fornece a eletricidade necessária para mover os trens ao longo de toda a linha.

O contrato de reconstrução e atualização tecnológica das subestações e cabines de tração, de R$ 84,2 milhões, prevê a atualização completa de três das cinco subestações de energia elétrica de tração da Trensurb na Estação Fátima (Canoas), com conclusão prevista para janeiro de 2026; Farrapos (em Porto Alegre), para junho de 2026; e São Luís (também em Canoas), para novembro de 2026.

Alguns equipamentos das subestações e cabines estão em fase final de inspeção, enquanto outros já estão disponíveis e sendo montados nos eletrocentros, os quais substituirão as edificações que já estão em fase de demolição.

Outro contrato emergencial, de R$ 1,9 milhão, promove reparos corretivos para reestabelecimento das funções operacionais das subestações e de geradores das estações atingidas pela inundação, com todos os equipamentos já entregues e previsão de conclusão da montagem em outubro e novembro deste ano.

Além disso, o reparo do transformador de tração da Subestação São Luís, danificado após sofrer princípio de incêndio durante a enchente de 2024, prevê um desembolso de R$ 2,1 milhões. Esse, com previsão de conclusão no segundo semestre de 2026, devido à complexidade de sua construção.

Também está sendo recuperada a sinalização, essencial para o controle do tráfego ferroviário. De Novo Hamburgo a Canoas, a sinalização já foi restabelecida em maio de 2024, e o trecho entre Canoas e Farrapos (Porto Alegre) está concluído. No trecho entre Farrapos e Mercado, no Centro de Porto Alegre, as obras seguem, com conclusão prevista até outubro deste ano.

Cerca de R$ 16,6 milhões foram investidos em cabos, relés, máquinas de via, painéis de controle e equipamentos de manutenção, incluindo medidas de proteção contra furtos. O sistema será monitorado continuamente, com manutenção preventiva e ajustes periódicos.

“Os recursos extraordinários destinados pelo governo federal, além de garantirem a recuperação de todos os sistemas atingidos pela enchente, vão deixar para a comunidade da região metropolitana uma empresa mais moderna tecnologicamente e mais resiliente em caso de ocorrência de novas catástrofes climáticas”, disse o diretor-presidente da empresa Nazur Garcia.