Cidades

Um quarto dos habitantes de Capão da Canoa ainda está sem energia elétrica, estima prefeito

Vidros quebraram com a força do vento em vários locais do município, o único do litoral norte a decretar calamidade pública

Único município do litoral norte a decretar estado de calamidade pública após o ciclone extratropical da última segunda-feira, com ventos superiores a 100 quilômetros por hora na região, Capão da Canoa vive um terça-feira de contabilização dos prejuízos e rescaldo dos estragos.

Somente a recuperação do calçadão da beira-mar, bastante danificado durante a tormenta, poderá custar de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão aos cofres públicos do município de Capão da Canoa, estimou o prefeito Valdomiro Novaski nesta terça-feira. “Dinheiro que não estava previsto. Praticamente vamos ter que refazê-lo todo”, afirmou ele.

25% dos habitantes de Capão da Canoa ainda estavam sem energia elétrica nesta terça, inclusive o próprio prefeito, fazendo-o improvisar outros locais para armazenar a insulina a qual faz uso, e mesmo no próprio Centro Administrativo, a luz estava oscilante. Servidores públicos chegaram a ficar presos em elevadores.

Parte da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) também teve os vidros da frente quebrados, fazendo com que fossem substituídos por tapumes, assim como em janelas de edifícios residenciais na área central. No Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), houve infiltrações de água.

Duas famílias foram recolhidas ao prédio da Defesa Civil Municipal, mas já saíram do local, e lonas foram distribuídas a moradores. Uma equipe da Defesa Civil Estadual chegou na tarde desta terça ao município, o único do litoral norte com decreto de calamidade pública em vigor, para prestar apoio.

“Realmente, as coisas que aconteceram aqui foram muito graves, e nos obrigamos a emitir o decreto. Ficamos muito chateados, porque a CEEE Equatorial deveria dar mais atenção ao litoral. Estamos pagando agora a conta do que houve no passado. É muito fácil estragar estas estruturas com a maresia toda. Acho que precisam ser melhor treinados, e não é uma crítica, acredito que estão se esforçando, porém a coisa ficou muito defasada”, acrescentou ele.

Segundo Novaski, os trechos do calçadão recém consertados pela administração, em razão de tormentas anteriores, não foram severamente danificados. “Já estávamos prevendo que alguma coisa dessas poderia acontecer ali”, disse ele. Com o decreto emitido, a ideia é que os recursos para a reconstrução das estruturas atingidas sejam obtidos mais rapidamente.

Em nota, a CEEE afirmou que Capão da Canoa foi uma das cidades mais afetadas pelo desabastecimento de energia, assim como Viamão, Porto Alegre e Tramandaí. A situação, segundo a empresa, já foi normalizada para 55% dos afetados em todo o RS.