O arcebispo metropolitano de Porto Alegre e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Jaime Spengler, voltou a se manifestar sobre a morte do Papa Francisco, nesta segunda-feira. Ele viajará nesta terça-feira para o Vaticano para acompanhar as cerimônias de despedida do pontífice. Além disso, por ter sido nomeado cardeal no final de 2024, Dom Jaime está apto para votar e ser votado no conclave que definirá o próximo papa.
Em sua manifestação, o arcebispo de Porto Alegre lembrou do carinho e da solidariedade prestada por papa Francisco durante as enchentes que devastaram o RS. Ele se recorda que, em meio à rotina turbulenta dos dias da cheia, a ligação recebida de um número de fora do Brasil chamou a atenção. “Era Francisco. Fiquei sem palavras. Depois daquele evento, sempre que estive em Roma, uma das primeiras perguntas que ele fazia era como estava o RS. O papa tinha familiares em Pelotas e também já havia visitado São Leopoldo antes de virar pontífice. Então ele conhecia muito bem o nosso Estado”, relembrou.
Em uma de suas visitas mais recentes ao Vaticano, o arcebispo conta que o estado de saúde sensível do papa já chamava a atenção. “Ele já não nos recebeu no Palácio Apostólico, mas sim na casa onde morava. Quando nos aproximamos dele, dava para ouvir o peito chiando, como reflexo da bronquite muito intensa. Mas ele, mesmo com dificuldades, queria conversar e saber de tudo e de todos, mesmo que em poucas palavras”, falou.
Dom Jaime voltou a lamentar a morte do papa Francisco e apontou a necessidade de interpretar o momento em que o planeta está vivendo para a escolha do novo pontífice. “O legado deste homem não é só para a igreja, mas também para o contexto geopolítico internacional. Teremos um trabalho de interpretar esse legado. Para nós, fica a saudade. A saudade pelo seu jeito simples, pelo modo como nos acolhia, seu desejo de escutar e, ao mesmo tempo, sempre pronto para uma palavra assertiva”, completou.
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Participação no conclave
Nomeado em 2024, Dom Jaime Spengler é um dos oito cardeais brasileiros. Deles, sete estão aptos para votar e serem votados no próximo conclave. O arcebispo de Porto Alegre conta que, por ter sido nomeado recentemente, o seu sentimento é de responsabilidade para ajudar a escolher o próximo pontífice. “O que está em questão não é só encontrar quem assuma como bispo de Roma, mas encontrar alguém que tenha o coração no presente e no futuro da igreja”, apontou.
Perguntado se ele mesmo, como está apto para receber votos, não sonha com tal honraria, Dom Jaime explica que é preciso alimentar a disposição de estar pronto para o que for solicitado. “O meu desejo mesmo é voltar o mais rápido possível para casa depois do conclave”, brincou. “Mas nos traz uma serenidade se colocar à disposição neste momento que se abre diante de nós”, finalizou.