A Unimed Porto Alegre lançou nesta quinta-feira o primeiro Escritório de Valor em Saúde coordenado por uma operadora de saúde da América Latina. O projeto integra o programa Saúde Baseada em Valor da cooperativa e terá como foco construir novas práticas de cuidado, implementando inovações, incentivos e aperfeiçoamentos para evolução da cultura de Value-Based Health Care (VBHC) no mercado de saúde e impulsionará as ações que contribuem para a construção de um ecossistema de saúde. A estrutura ficará localizada em sua sede, Avenida Venâncio Aires, 1040, na capital.
O presidente do Conselho de Administração da Unimed Porto Alegre, Márcio Pizzato, fez a abertura do encontro e considerou o lançamento do Escritório de Valor em Saúde um momento especial na trajetória de mais de cinco décadas da cooperativa de Porto Alegre. “A Unimed Porto Alegre vai completar 52 anos, é a segunda melhor do país. Sendo líder de mercado em assistência de saúde com 627 mil beneficiários. Essa iniciativa nos posiciona como a 1° operadora da América Latina a ter um Escritório de Valor”, declarou.
O evento contou com a palestra da fundadora da Academia VBHC, mestre em cardiologia Márcia Makdisse. Ela explicou que o ponto crucial a ser abordado é a implementação desta teoria que teve origem em 2006, nos Estado Unidos. “No Brasil, estamos apenas começando essa discussão. O valor sempre deve ser direcionado ao paciente, e o escritório de saúde é uma ferramenta facilitadora nesse sentido”, explicou.
Márcia Makdisse afirmou que o médico precisa ouvir o paciente e trazer a visão dele para redesenhar o modelo de cuidado| Foto: Fabiano do Amaral
O Escritório de Valor tem como base três pilares principais. A primeira é a disseminação do conceito e a criação de um ecossistema que possa se diferenciar. Não sendo necessário que o pagamento seja baseado na quantidade de atendimentos realizados, mas sim na qualidade do atendimento. O segundo pilar está relacionado com a informação, para isso, a Unimed está investindo em uma plataforma para compilar os dados e fazer o direcionamento. O terceiro pilar consiste em conectar esses dados com as pessoas.
“O atendimento deve ser multifuncional para garantir o melhor cuidado possível. Os resultados obtidos devem ser universais. Se a ciência evoluiu e temos o mesmo conhecimento, os resultados devem ser consistentes. O acesso, a qualidade e a estrutura desempenham um papel fundamental no resultado final. É preciso criar um ambiente onde os dados sejam analisados e utilizados para tomar ações concretas”, ponderou a médica cardiologista.
A Saúde Baseada em Valor é uma abordagem que integra os resultados clínicos, econômicos e recursos suficientes dos pacientes com a intenção de proporcionar qualidade nos cuidados, uma melhor experiência e satisfação dos clientes. Para isso ocorrer de forma plena, Márcia afirmou que a escuta é a melhor alternativa. “Devemos ouvir o paciente. O médico precisa dar ouvidos ao paciente e trazer a visão dele para redesenhar o modelo de cuidado. Quando paramos para ouvir, podemos compreender a experiência e entender o que é importante para as pessoas com necessidades de tratamento. Precisamos ouvi-los e aprender com eles, unindo a expertise clínica com a visão do paciente. Nosso objetivo é mudar a visão de que mais atendimentos significam maiores ganhos. Devemos ser remunerados com base nos melhores resultados alcançados”, finalizou a especialista.