A autorização judicial para reintegração de posse do antigo Hotel Arvoredo é alvo de protestos, na manhã desta sexta-feira, no Centro Histórico de Porto Alegre. O ato ocorre na esquina das ruas Coronel Fernando Machado e General Bento Martins, de forma pacífica e sem impedir o fluxo de veículos. Brigada Militar e EPTC estão no local.
Os manifestantes são moradores dos bairros Sarandi e Humaitá, na zona Norte da Capital, e de Eldorado do Sul, na região Metropolitana. Eles perderam a casa no dilúvio em maio e, desde então, estão na hospedagem abandonada há 12 anos na área central da cidade.
Carlos Eduardo, conhecido como Dunga, de 43 anos, está no prédio com a esposa e mais quatro filhos, de 14, 15, 18 e 20 anos. Antes de ir para o antigo hotel, a família morava no bairro Sarandi, em um dos locais que foi devastado por extravasamento em dois pontos de um dique.
De acordo com ele, o Hotel Arvoredo chega a reunir aproximadamente 150 pessoas, incluindo mais de 25 crianças e idosos. O grupo é contra a transferência para abrigos ou a um Centro Humanitário de Acolhimento. A demanda é por casa própria.
"Não queremos ir para abrigos provisórios. Nossa demanda é por casa própria, que nada mais é do que um direito de quem perdeu tudo. O poder público diz que irá auxiliar por meio de compra assistida ou através da construção de casas novas, mas nós ainda não recebemos nenhuma das propostas. A verdade é que, se formos retirados do hotel, não temos para onde ir”, afirmou.
Ainda conforme Dunga, a permanência das famílias no prédio abandonado seria também uma garantia de mais segurança na região. O argumento dele é que os desabrigados no Hotel Arvoredo teriam tomado um espaço que antes servia de refúgio para delinquentes.
"O hotel está abandonado há mais de 10 anos. Durante todo esse tempo, o espaço foi utilizado por usuários de drogas ou ladrões de rua que se escondiam ali. A chegada das famílias representa o fim disso. Não há viciados nem criminosos entre nós. Todos somos trabalhadores dignos e queremos apenas moradia”, afirmou o homem, que trabalha na construção civil.
O subcomandante do 9º BPM, major Demian Riccardi, aponta que um combinado foi feito para que os manifestantes não bloqueiem o trânsito. Ele assegura que os militares vão permanecer com o monitoramento do protesto ao longo do dia.
"Todos têm o direito de se manifestar livremente, com a condição de não prejudicar o próximo nem impedir o ir e vir das outras pessoas. Enquanto o protesto continuar pacífico, sem bloquear ruas, não haverá problemas”, ponderou o oficial.
O prazo de 60 dias para desocupação voluntária do Hotel Arvoredo foi finalizado na última segunda-feira. Foi autorizado o cumprimento do mandado liminar de reintegração de posse do local e tentativa de identificação e citação dos ocupantes ainda não identificados. A decisão é do juiz Maurício da Costa Gambogi, do 2º Juizado da 8ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de Porto Alegre.