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Vandalismo faz prefeitura gastar cerca de R$ 3 milhões com reparos em parques e praças

Mais de 70 praças já foram revitalizadas em 2026

Praça Jayme Telles, no bairro Santana, tem grama alta e um balanço quebrado
Praça Jayme Telles, no bairro Santana, tem grama alta e um balanço quebrado Foto : Fabiano do Amaral

Dano ou destruição de bens públicos ou privados. Esta é a definição de vandalismo, comumente presente em praças e parques públicos. Desde janeiro de 2025, a Prefeitura de Porto Alegre gastou cerca de R$ 3 milhões na recuperação de estruturas danificadas por vândalos. O investimento total na manutenção desses espaços foi de R$ 8,8 milhões nas 160 praças revitalizadas em 2025.

Em uma rápida visita aos parquinhos da Redenção, é possível ver pichações em placas e algumas lixeiras amassadas. De maneira geral, porém, o mobiliário urbano está em boas condições, não só no local, como também em outras praças.

No momento da coleta de informações para a produção do texto, na Praça Jayme Telles, no bairro Santana, a grama estava um pouco alta e havia um balanço quebrado, mas nada que poderia atrapalhar a diversão das crianças. O balanço já foi consertado e grama cortada.

Lixeiras foram vandalizadas em um dos parquinhos da Redenção | Foto: Fabiano do Amaral

Fiscalização e denúncias

Conforme a Guarda Civil Metropolitana de Porto Alegre (GCM), entre janeiro de 2025 e 10 de março de 2026, foram realizadas 173 ações fiscalizatórias voltadas às praças e parques da cidade.

O comandante da GCM, Marcelo do Nascimento, afirma que os vândalos não possuem um comportamento padrão ou coordenado e se aproveitam da falta de fiscalização.

“É uma situação de ocasião. Em locais onde não há tanto policiamento, pessoas que praticam esse tipo de ação percebem que não estão sendo vigiadas e acabam agindo. É claro que existem grupos, principalmente de pichadores, que se organizam e procuram atingir metas internas, mas, de forma geral, não é um ato organizado ou coordenado”, afirma.

Os locais com mais registros de vandalismo são os de maior circulação de pessoas, como o Parque Farroupilha (Redenção), o Parque Moinhos de Vento (Parcão), a Marinha do Brasil e a Orla Moacyr Scliar. Conforme o órgão, todos os 11 parques da cidade sob responsabilidade da prefeitura passam por manutenções de rotina.

Nascimento afirma que eventos com grandes aglomerações não representam, necessariamente, aumento de ocorrências, mas pessoas predispostas podem se aproveitar do contexto. “O carnaval ou qualquer outro evento com grande fluxo de pessoas pode camuflar quem pratica esse tipo de ato. Não que o evento em si favoreça isso, mas o contexto da aglomeração pode facilitar”, explica.

Pichações pontuais são vistas em parquinhos da Redenção | Foto: Fabiano do Amaral

Quanto à fiscalização, o comandante destaca que são realizados patrulhamentos preventivos, mas a grande quantidade de praças e parques dificulta o trabalho. “A gente atua por demanda, a partir de denúncias, flagrantes por videomonitoramento e também por meio de patrulhamento ostensivo”, afirma.

Para prevenir novos casos, a Guarda Municipal conta com o apoio da população. “É importante que a população seja parceira do poder público. Não é possível ter um guarda em cada esquina, por isso contamos com a tecnologia e com denúncias para reduzir esse tipo de ocorrência na cidade”, conclui.

As solicitações de manutenção e melhorias em espaços públicos podem ser registradas por meio da Central do Cidadão 156. Em casos de flagrante de vandalismo, a orientação é acionar o 190 da Brigada Militar.

Revitalização e autoestima coletiva

Segundo a Prefeitura de Porto Alegre, desde janeiro deste ano foram revitalizadas 77 praças. Os serviços incluem manutenção geral, pintura, recuperação de brinquedos, além da revitalização de bancos e lixeiras.

A Praça Dom Silvério, no bairro Partenon, recebeu reparos em março. Em um fim de tarde, jovens jogam futsal na quadra. É possível perceber que o mobiliário recebeu nova pintura e que a grama foi cortada recentemente. Apesar disso, a tela de contenção da quadra foi remendada de forma improvisada pela comunidade para evitar que a bola vá para a rua. Em contato com o Correio do Povo, a prefeitura esclareceu que a quadra e o passeio estão dentro de um projeto do governo do Estado e que a praça havia sido revitalizada em fevereiro.

Rede improvisada foi colocada na tela da quadra de futsal da Praça Dom Silvério, no bairro Partenon | Foto: Fabiano do Amaral

O cuidado dos moradores com a praça é visível. O mecânico Ubirajara Campolino, 49 anos, mora próximo e considera o local como uma extensão de sua casa. “É a única praça do bairro. Vem gente da Vila Maria Conceição, da Glória e de todo o Partenon”, conta.

Ele também relata que a Escola Estadual José Carlos Ferreira, ao lado da praça, utilizava a quadra para atividades físicas.

“É o nosso único espaço de descanso depois do trabalho. A gente chega cansado e vem para cá relaxar. Mesmo de madrugada tem gente jogando bola”, diz.

A praça também é referência para moradores de bairros vizinhos. Para Campolino, ver o espaço cheio é motivo de alegria. “É bom ver essa gurizada aqui. Estando aqui, não estão no meio da criminalidade. Isso aí é a única coisa que eles tem. São pobres. É uma gurizada boa. Tu não vê ninguém ofendendo ninguém. Eles não têm oportunidade de ter uma coisa melhor”, reflete.

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