O pagamento do 13º salário é esperado por boa parte dos brasileiros. O benefício é direcionado a trabalhadores com carteira assinada, inclusive empregados domésticos, aposentados e pensionistas da Previdência Social da União, estados e municípios.
Na maioria dos casos, o depósito é dividido em duas partes. A primeira parcela foi paga até a data limite de 30 de novembro, enquanto a segunda parte está prevista para até, no máximo, 20 de dezembro.
De forma geral, o valor a ser pago é referente a um mês de salário, descontando o Imposto de Renda e o INSS na segunda parcela. Já para quem não tem um ano de registro em carteira, o cálculo do pagamento é feito de maneira proporcional, pela divisão da remuneração integral por doze (meses do ano) seguida da multiplicação do resultado pelo número de meses trabalhados. Há ferramentas digitais que ajudam a fazer a conta.
Impacto no cenário econômico
A supervisora técnica do Dieese, Mariel Angeli Lopes, diz que o impacto da gratificação natalina é muito importante no desenvolvimento econômico, sobretudo no fim do ano. “Aumenta a demanda por produtos e serviços em todo o país. Os setores de comércio, bares, restaurantes, hotelaria e turismo têm grande aumento de demanda, provocado pelo pagamento do 13º salário.”
O que fazer com o benefício do 13º?
Pelo Conselho Federal de Economia (CFE), a conselheira Ana Cláudia Arruda também entende que dinheiro extra é muito bem-vindo, especialmente quando as pessoas não conseguiram montar sua reserva de emergência durante todo o ano. “É um dinheiro que pode garantir uma saúde financeira para o início do ano.”
“Primeiro, recomendamos listar as necessidades e as prioridades. Em geral, as pessoas não colocam no papel os gastos e as prioridades desses gastos. É preciso fazer uma lista pensando no que precisa ser comprado agora e no que pode ficar para depois, não deixando de incluir a quitação de dívidas antigas, que é de fundamental importância, tendo em vista os juros”, afirma Ana Cláudia.
Já para o educador financeiro João Victorino, o décimo terceiro precisa ser usado com sabedoria. “Sabemos o quanto esse dinheiro é esperado pela maioria das pessoas, porém, não deve ser visto como salvador da pátria. É importante fazer um planejamento financeiro para que seja possível definir para onde será destinado cada valor”.
De acordo com o professor do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Anhanguera, Adans Alberto Rocha, é essencial que todos tenham cautela com o valor extra, aproveitando-o para um planejamento que já antecipe 2025.
“Antes de decidir como usar o 13º, é fundamental fazer um levantamento detalhado das finanças. Se você tem dívidas, especialmente com juros altos, como cartão de crédito e empréstimos, priorizá-las é essencial. O pagamento dessas obrigações proporciona uma sensação de alívio e ajuda na saúde financeira do ano seguinte”, explica.
Confira algumas dicas de como gastar o 13º:
. Quitação de dívidas
Os devedores devem priorizar as maiores dívidas, com juros mais altos, sobretudo contas atrasadas, como as de cartão de crédito, crediário e cheque especial.
A conselheira Ana Cláudia Arruda observa que o endividamento também pode ter impactos psicológicos. “Livrar-se de dívidas é algo fundamental para a saúde psíquica e financeira das pessoas.”
. Negociação com credores
O devedor pode tentar obter descontos ou condições mais favoráveis para o pagamento do débito, se não tiver condições de quitá-lo. “A entrada desse recurso pode ser muito bem-vinda para facilitar na renegociação e, muitas vezes, na extinção de várias dívidas e compromissos financeiros que essas pessoas têm para começar 2025 com uma renda menos comprometida com empréstimos e com dívidas financeiras”, recomenda a economista do Dieese.
. Reserva financeira de emergência
O dinheiro guardado pode ajudar, sem a necessidade de endividamento, a lidar com gastos inesperados. Emergências como problemas de saúde próprios ou de familiares, perda de emprego, reparos na residência ou imprevistos no automóvel podem ocorrer. A reserva de emergência deve ser feita em ativo seguro (baixo risco de perda do capital investido) e com liquidez, que garanta resgate imediato, em caso de necessidade.
A Serasa recomenda que a reserva seja equivalente de três a seis meses de despesas mensais. “Isso pode variar dependendo da situação financeira pessoal e profissional da pessoa. Um autônomo, por exemplo, deve ter uma reserva mais robusta”.
“Quitação de dívidas não é planejamento de gastos. Priorização de gastos também e a montagem de uma reserva de emergência, que é fundamental para todas as pessoas”, diz Ana Cláudia.
. Gerenciamento de gastos no início do ano
O abono de Natal pode servir para pagar contas adicionais que costumam vencer no início do ano e, assim, evitar aperto financeiro. Entre as despesas mais comuns estão a compra do material escolar, a contratação de serviços educacionais e pagamento de tributos como o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU).
. Planejamento de compras
Fazer uma lista de itens que precisa adquirir, estabelecer um orçamento, pesquisar preços e fornecedores antes de fazer a compra, estabelecer um valor máximo a ser gasto. Se decidir pela aquisição, comprar com antecedência em relação às datas comemorativas do comércio que incentivam o consumismo e evitar parcelamentos da dívida, que em geral, têm juros embutidos.
. Prazos de pagamento
Liquidar toda a dívida de uma só vez pode ser uma boa forma de evitar juros, desde que não se comprometa a quitação das demais despesas. E muitas lojas oferecem descontos significativos para pagamento à vista. Em caso de compras parceladas, o consumidor deve ficar atento ao acúmulo de cotas para não envolver uma parte significativa da renda mensal, aumentando o risco de endividamento.
. Investimentos
Ana Cláudia Arruda recomenda economizar e separar um pouco do recurso extra para uma aplicação financeira. O dinheiro poderá expandir patrimônio e garantir recursos para futuros objetivos, como comprar um imóvel, garantir a aposentadoria, custear uma especialização ou fazer uma viagem. Os investimentos podem ser diversificados. A distribuição do dinheiro em diferentes tipos de investimentos pode gerar mais rentabilidade e reduzir riscos.
. Avaliação da situação financeira
Muitos gastos merecem atenção porque drenam o orçamento sem a percepção real pelo dono do dinheiro. A mudança de chave vinda do planejamento pode significar economia, por exemplo, com o cancelamento de contratos abusivos, revisão de taxa de anuidade de cartão de crédito, acompanhamento do consumo de serviços de telefonia, energia elétrica e fornecimento de água, eliminação de serviços não usados, como cursos, streaming, academia não frequentada.
*Com informações de Agência Brasil e B3