Economia

14ª Feira de Economia Solidária do Dia das Mães reúne cerca de 170 expositores em Porto Alegre até o dia 10 de maio

Vendas dos setores de artesanato, confecção, agricultura familiar e alimentação no Largo Glênio Peres teve início nesta segunda-feira, dia 5

São 36 empreendimentos econômicos solidários, com 80% de expositoras mulheres, 161 famílias e cerca de 800 pessoas envolvidas
São 36 empreendimentos econômicos solidários, com 80% de expositoras mulheres, 161 famílias e cerca de 800 pessoas envolvidas Foto : Pedro Piegas

O Largo Glênio Peres, no Centro Histórico de Porto Alegre, reúne entre esta segunda-feira, dia 5 e sábado, dia 10, cerca de 170 expositores para a 14ª Feira de Economia Solidária do Dia das Mães, realizada pelo Fórum Municipal de Economia Popular Solidária de Porto Alegre (FMESPA), em conjunto com a Central de Cooperativas e Empreendimentos Econômicos Solidários no Rio Grande do Sul (Unisol RS).

São 36 empreendimentos econômicos solidários, com 80% de expositoras mulheres, 161 famílias e cerca de 800 pessoas envolvidas que estão expondo seus produtos, empreendimentos econômicos solidários dos setores de artesanato, confecção, agricultura familiar e alimentação.

Margareth Wiltgen, uma das coordenadoras da FMESPA e da Unisol, conta que a iniciativa começou em 1996 como um movimento de mulheres interessadas na economia solidária em busca de um espaço para comercialização das suas artes. “Esses quase 30 anos envolvidas com isso, a gente conseguiu através de um esforço bem concentrado, porque somos em maioria mulheres, empreendedoras, tendo como única renda essa, de trabalhar com as mãos”, diz.

A estimativa é de que mais de 5 mil pessoas passem por dia no espaço, e que o evento arrecade mais de 100 mil reais para os empreendedores e trabalhadores da agricultura familiar, que buscam se reerguer após a enchente de maio do ano passado, que já completa 1 ano.

Feiras como essa são possíveis por meio de leis municipais e estaduais, como a Lei Ordinária nº 12.615, de 2019, de Porto Alegre, que inclui a Feira de Economia Solidária do Dia das Mães no calendário de eventos da cidade, e a Lei Estadual nº 13.531, de 2010, do Rio Grande do Sul, que institui a Política Estadual de Fomento à Economia Popular Solidária, incentivando a difusão, sustentabilidade e expansão da economia solidária no Estado.

"Dá uma rentabilidade muito boa para nós, porque é no Largo Glênio Peres, passa muita gente. Essa feira, em qualquer outro lugar, talvez não tivesse a rentabilidade que ela nos proporciona nesses anos todos", diz Margareth.

Trabalho com as mãos

O grupo de artesanato Estilo de Ser, de Porto Alegre, marca presença na feira há 18 anos. Neste ano, conta com quatro artesãs. Gislaini Rosa, coordenadora do grupo, destaca a solidariedade envolvida nos trabalhos artesanais da economia solidária. "É muito importante para nós todos, inclusive em questões de produtos, com preços bem acessíveis. Porque a venda está muito difícil, inclusive depois da pandemia, que foi um problema, depois tivemos a enchente, outro problema. A nossa venda está sendo prejudicada. O comércio todo, aliás", diz. O grupo vende no Mercado Público e em feiras na Redenção trabalhos com crochê, como costuras para pano de prato, bolsas e aventais.

Vera Beatriz Padia, de 68 anos e artesã há 60, já está na 34ª edição da feira e representa o grupo Feito a Mão. Ela trabalha com patchwork, técnica de costura que consiste em unir pedaços de tecido, muitas vezes reutilizando, de diferentes cores, padrões e tamanhos para criar uma peça maior. "Sobra muito tecido, e a gente não vai colocar um tecido fora, nobre, às vezes com preço até alto. É tudo sustentável também, né? Porque o que não sai do atelier vai para a natureza, e a gente não quer isso. Então, eu aproveito a linha, tecido, manta, todo material aproveito. Não 100%, mas quase 98% do tecido”, pontua.

Para ela, a feira, além de promover melhora na vida financeira, também auxilia na saúde mental. “A gente divide o espaço com outras pessoas e tem trocas, saberes e experiências, então, não é só financeiramente que é bom, é mentalmente também”, diz.

O evento também tem apoio financeiro do Orçamento Participativo, de execução da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Eventos (SMDETE) da prefeitura de Porto Alegre, da Secretaria Estadual de Trabalho e Desenvolvimento Profissional (STDP) do Governo do Estado e da Unisol.

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