Economia

Abertura de capital, R$ 20 bilhões e 15 mil demissões: entenda o plano de reestruturação dos Correios

Presidente da estatal, Emmanoel Rondon, detalhou conjunto de medidas nesta segunda-feira

Projeto prevê R$ 20 bilhões em aporte financeiro e um plano de estímulo a demissões, que deve cortar 15 mil funcionários
Projeto prevê R$ 20 bilhões em aporte financeiro e um plano de estímulo a demissões, que deve cortar 15 mil funcionários Foto : Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil / CP

Com prejuízos bilionários, os Correios passarão por um plano de reestruturação nos próximos anos. As medidas de recuperação foram detalhadas nesta segunda-feira pelo presidente da estatal, Emmanoel Rondon.

O plano prevê três fases, que devem ser cumpridas entre os anos de 2026 e 2027. No entanto, não estão descartadas medidas de longo prazo, para manter a sustentabilidade da companhia.

O projeto prevê R$ 20 bilhões em aporte financeiro e um plano de estímulo a demissões, que deve cortar 15 mil funcionários. O conjunto de medidas prevê ainda a modernização da sistemática de negócios e um programa de metas para todos os funcionários.

Rondon afirmou ainda que há uma consultoria sendo contratada para tratar da questão de precatórios. O presidente da estatal descartou a privatização.

"Hoje não tem o olhar sobre privatização, mas tem o olhar sobre parcerias, inclusive societárias. Tem exemplos de sociedade economia mista, funciona. Tem exemplos em que não há sociedade economia mista, mas há parcerias específicas para temas relevantes, como negócios financeiros e seguridade. A gente também está enxergando dessa forma. O que a gente espera que a consultoria nos traga são estudos que casem com a realidade da empresa no contexto que a gente está", declarou Rondon.

Modernização e metas

Segundo Rondon, entre as metas dos Correios estão a modernização da sistemática de negócios, da logística e do aparelhamento tecnológico são algumas das metas dos Correios. “Estamos falando de automação de centros de tratamento, modernização da infraestrutura logística, renovação de frota e o redesenho da malha logística”, explicou.

O presidente da companhia afirmou que uma governança própria será criada já nas primeiras reuniões. Será criado ainda um sistema de metas para todos os funcionários da companhia. “Este rito já foi aprovado e a partir de janeiro a gente fará as entrevistas com as lideranças”, afirmou.

Captação de R$ 20 bilhões

O plano de reestruturação da companhia foi concebido com a necessidade de captação de R$ 20 bilhões. A companhia já captou cerca de R$ 12 bilhões em empréstimos junto a cinco bancos. Ainda há necessidade de captação de R$ 8 bilhões para fechar a conta.

Segundo Rondon, ainda será definido se essa captação terá ou não aporte do Tesouro. "Então, o que tem hoje? A captação, o contrato que foi assinado na sexta-feira última, de R$ 12 bilhões, um desembolso de R$ 10 bilhões agora em 2025 e um desembolso de R$ 2 bilhões em 2026, para janeiro. Permanece a necessidade de captação de R$ 8 bilhões", afirmou.

De acordo com Rondon, a receita operacional da empresa é de R$ 18 bilhões e é preciso aumentar essa receita para R$ 21 bilhões até 2027.

Abertura de capital

Entre as medidas em estudo está a abertura de capitais, que pode ser adotada a partir de 2027. Atualmente, a companhia é 100% pública, mas avalia a possibilidade de abrir seu capital transformando-a, por exemplo, em uma companhia de economia mista, como é hoje a Petrobras e o Banco do Brasil.

Incentivo a demissões

O plano dos Correios prevê ainda cortes de despesas da ordem de R$ 5 bilhões até 2028, com venda de imóveis e dois planos de demissão voluntária (PDVs) previstos para reduzir o número de funcionários em 15 mil até 2027. “A gente tem 90% das despesas com perfil de despesa fixa. Isso gera uma rigidez para a gente fazer alguma correção de rota quando a dinâmica de mercado assim exige”, disse.

O plano de reestruturação era esperado devido aos sucessivos resultados negativos que a estatal vem acumulando desde 2022, com um déficit estrutural de R$ 4 bilhões anuais “por causa do cumprimento da regra de universalização”, segundo justificou o presidente Rondon.

Fechamento de agências

O plano de reestruturação da companhia prevê o fechamento de 16% das agências da estatal, o que representa cerca de mil das 6 mil unidades próprias em todo o país. A estatal espera economizar R$ 2,1 bilhões com o fechamento de unidades. Considerando outros pontos de atendimento realizados por parceria, são 10 mil unidades que prestam serviços para os Correios no Brasil.

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