Assim, os acordos salariais nominais estão mais vistosos, mas o ganho real, menor, em função da aceleração do INPC. Os calçadistas, os metalúrgicos e o setor mobiliário estão entre as categorias que já começaram a negociar as reposições de salários. Os sapateiros de Sapiranga, por exemplo, cuja data-base é fevereiro, conseguiram um ganho real de 4,75% sobre o total pedido de 11,04%. Segundo o diretor financeiro do Sindicato dos Sapateiros de Sapiranga, Nova Hartz e Araricá, Ivo Caetano, que representa 22 mil trabalhadores na região, foi uma boa negociação, comparativamente com 2010, quando a categoria obteve ganho de 1,92%.
Já os metalúrgicos de Gravataí, especialmente os que trabalham na GM, começaram as conversações na semana passada. Na quinta-feira, os trabalhadores foram para a frente da fábrica da GM, onde deflagraram a campanha salarial deste ano. A categoria reivindica repasse para os salários dos ganhos que a montadora teve no ano passado, por conta do aquecimento das vendas de automóveis. "Queremos a valorização do nosso trabalho e o reconhecimento profissional, uma vez que a fábrica daqui tem alto nível de eficiência", destaca Edson Dorneles, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí - que representa cerca de 14 mil funcionários.
Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Vestuário, Calçados e Componentes Elétricos de Estância Velha, José Carlos Markeviski, acredita que não haverá dificuldades nas negociações, sobretudo porque no segmento que representa faltam profissionais qualificados, como costureira e cortador. "Isso será levado em conta e deverá pressionar as empresas a pagarem melhores salários, se quiserem manter esses profissionais", diz.
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