Economia

Agência mantém nota da França em AAA, com perspectiva estável

Standard & Poors elogiu o esforço do governo francês em reduzir o déficit

A agência de classificação de risco Standard & Poors reiterou, nesta quarta-feira, 10, que mantém a nota de crédito da França em AAA, com perspectiva estável. Além disso, a S&P elogiou o governo francês e seu esforço em reduzir o déficit e fez uma comparação com a situação dos Estados Unidos. "Acreditamos que o governo francês mostra evidências de seriedade nos assuntos fiscais, que está implementando medidas para reduzir o déficit", afirmou o analista de crédito da S&P, Nicholas Swan, durante teleconferência pela manhã. Segundo ele, no longo prazo, a situação fiscal da França mostra mais sustentabilidade do que a dos EUA. Os EUA tiveram o rating soberano rebaixado de AAA para AA+, com perspectiva negativa pela S&P na última sexta-feira.

"Vemos políticos nos EUA dizendo que o déficit é menos importante que outros temas da economia do país e isso não pode ocorrer num país AAA. O política dos EUA está se afastando do que se vê num país AAA e, por isso, houve o downgrade", disse Swan. Ele se referia ao impasse em torno do acordo para elevação do teto da dívida e redução do déficit no país, finalmente aprovado na semana passada, mas menos austero do que a S&P acredita que deveria ser e mesmo que o inicialmente proposto pelo presidente Barack Obama.

"Antes a situação da dívida nos EUA era melhor que a da Alemanha e a da França, por exemplo, que são países AAA. Isso mudou nos últimos dez anos. Houve então uma maior deterioração em 2010 e isso não foi recuperado", observou Swan. "Acreditamos que o déficit vai continuar a aumentar nos próximos cinco anos apesar do acordo da semana passada e mesmo que seja inteiramente implementado", completou.

Swan voltou a dizer que os EUA podem ter outro downgrade nos próximos dois anos se a situação fiscal mostrar mais deterioração. "Vamos seguir adiante (com downgrade) se as condições fiscais piorarem ou se o ambiente político piorar. Se percebermos progresso além do que vimos no acordo de 2 de agosto, então podemos colocar perspectiva estável", explicou.

Europa fecha em baixa

As principais bolsas europeias encerram o dia em forte baixa, influenciadas pelo tombo das ações de bancos e pelos rumores de que a França poderia ser o próximo país a ter sua nota de dívida rebaixada. A Bolsa de Paris caiu 5,5%, Frankfurt recuou 5,13%, Londres perdeu 3,05% e Milão despencou 6,65% nesta quarta-feira. O mercado de ações francês foi impactado pelo desempenho do banco Société Générale, que recuou 14,9%. Em Madri, o recuo de 5,5% também refletiu o tombo do setor bancário – o Santander caiu 8,3%.


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