A proposta ficará em audiência pública entre 13 de fevereiro e 16 de março. Os números podem sofrer alterações até a sua definitiva aprovação pela agência, o que deve ocorrer após a segunda quinzena de março. Porém, mesmo que ajustes venham a ocorrer, não devem ser suficientes para evitar a transferência de mais essa conta bilionária aos consumidores brasileiros.
Segundo técnicos da agência reguladora, os valores serão repassados às tarifas dos consumidores nas respectivas datas de reajustes das distribuidoras que os atendem. As receitas da CDE somaram, em 2013, R$ 12,4 bilhões, enquanto as despesas totalizaram R$ 18 bilhões. A CDE é um fundo que financia ações como o programa Luz para Todos, o subsídio à energia para famílias de baixa renda e em comunidades isoladas no Norte do país, além do pagamento das indenizações às geradoras e transmissoras que renovaram suas concessões dentro do plano de barateamento da energia adotado pelo governo no início de 2013. Como as despesas da CDE têm sido superiores aos recursos que entram em sua conta, o Tesouro tem feito aportes para compensar esse déficit.
Devido à baixa quantidade de chuvas, as usinas térmicas estão sendo mais acionadas, o que faz os custos das empresas de energia subirem. O gasto semanal das empresas com a compra de energia no mercado livre dobrou, de R$ 400 milhões para R$ 800 milhões, acompanhando a alta de R$ 476,00 para R$ 822,83 por megawatt-hora (MWh), de acordo com a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel).
A utilização mais intensa de energia termelétrica no país se dá desde 2012 para poupar água dos reservatórios das principais hidrelétricas. Entretanto, gerar energia por meio de usinas termelétricas é bem mais caro, e essa conta, agora, chega aos consumidores.