A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em parceria com o Boston Consulting Group (BCG), apresentou o estudo “Avançando nos caminhos da Descarbonização Automotiva – 2024”. O trabalho considerou perspectivas de diferentes participantes da cadeia automotiva, integrando 3 mil consumidores.
O estudo revela que o setor de transporte emite atualmente 242 milhões de toneladas de CO2 por ano, representando 13% das emissões totais do país. Se não houver intervenções, essa cifra pode aumentar para 246 milhões nos próximos 15 anos.
O relatório aponta que, com ações governamentais adequadas — como renovação de frota, inspeção veicular, aprimoramento dos biocombustíveis e programas de reciclagem — seria possível economizar até 400 milhões de toneladas de CO2. Além disso, a pesquisa destaca a urgência de investimentos em infraestrutura, especialmente com o crescimento da frota de veículos eletrificados.
O aumento na venda de veículos eletrificados superou o crescimento da infraestrutura. Em 2021 eram mil pontos de carregamento e entre 2023 e 2024 são 4.200 pontos de carregamentos em todo o país. Sendo que a venda de veículos leves eletrificados dobrou, enquanto a de pesados triplicou.
Os avanços não são apenas em volume, mas também em custo. O preço dos veículos leves eletrificados caiu de R$ 215 mil em 2021 para cerca de R$ 107,5 mil em 2023, facilitando a aquisição e incentivando a adoção dessas novas tecnologias.
O estudo sugere que a mistura de etanol na gasolina deve aumentar para 35% e a de biodiesel no diesel para 30%. Isso exigirá mais energia elétrica e biocombustíveis para garantir a sustentabilidade do ecossistema automotivo.
Marcio de Lima Leite, da Anfavea, enfatizou que o estudo orienta investimentos em toda a cadeia automotiva. E mostrou que em 2030 a venda de veículos eletrificados pode representar 50% das vendas. “Esse estudo vai ser um importante direcionamento para o país", sublinhou.
De acordo com o estudo, essas mudanças representam um passo importante em direção a um futuro automotivo mais sustentável, mas a colaboração entre setores público e privado será crucial para transformar essas diretrizes em realidade.
O estudo será encaminhado para diferentes ministérios para que o governo federal apresente projetos de politicas públicas que contribuam para a descarbonização no Brasil.