"Caso não houvesse acordo, não só a Europa iria naufragar, mas sim o mundo inteiro", disse o presidente, segundo o qual o compromisso da Grécia para uma redução do déficit será controlado de perto pelos europeus. Assim como a Alemanha, Sarkozy anunciou uma revisão drástica dos prognósticos de crescimento para França em 2012, reduzindo a projeção de 1,75% para a 1%, e anunciou que haverá um novo plano de austeridade entre 6 e 8 bilhões de euros, cujos detalhes ainda não foram revelados.
Com este cenário mais realista e com investidores realizando lucros pela alta de ontem, as principais bolsas europeias fecharam em queda nesta sexta-feira, com a exceção de Frankfurt. A Bolsa de Londres terminou em queda: o índice Footsie-100 perdeu 0,20% com relação ao fechamento de quinta-feira. O Dax de Frankfurt subiu 0,13% após ganhos de mais de 5% na véspera. O CAC 40 de Paris perdeu 0,59%; sendo que na véspera havia subido 6,28%. Já o índice Ibex-35 da Bolsa de Madri terminou em queda de 0,50%. Na véspera, Londres registrou ganho de 4,96%.
"Esta jornada foi dedicada a estudar os detalhes do plano europeu e a perguntar se ele será suficiente", disse em Paris um analista do IG Market. Na quinta-feira, as principais altas das bolsas europeias foram em relação aos valores bancários, que refletiram a adoção do acordo europeu, que prevê, entre outras coisas, uma redução da dívida da Grécia e o reforço do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) para evitar o contágio a outros países.
Os problemas da Grécia, no entanto, seguem sem resultados: os bancos europeus aceitaram um perdão de 50% da dívida do país, mas isso só reduzirá em um sexto a dívida pública total grega, disse Bernhard Eschweiler, economista do banco privado alemão Silvia Quandt.
Com um déficit público reduzido a 140% do PIB, contra os 165% atuais, e dado "o estado deplorável" da economia grega, o país "não tem nenhuma oportunidade para sair dívida", diz. "Outras reduções da dívida são necessárias", desta vez por parte dos credores internacionais, a "troika", formada pela União Europeia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), diz.