Economia

“Apesar da linguagem universal da economia, as divergências políticas permanecem”, diz Paulo Guedes

Ex-ministro esteve no Fecomércio-RS Debate, nesta segunda-feira

Paulo Guedes
Paulo Guedes Foto : Pedro Piegas

Paulo Guedes, que liderou o Ministério da Economia de 2019 a 2022, participou nesta segunda-feira, em Porto Alegre, do Fecomércio-RS Debate.

Na abertura, o presidente Luiz Carlos Bohn destacou a importância dos debates econômicos após a enchente, e celebrou a presença do ex-ministro Paulo Guedes. Ele enfatizou a importância do assunto no contexto de recuperação econômica do Rio Grande do Sul, e a necessidade de o Brasil crescer de forma mais acelerada, o que, segundo ele, exige medidas de aumento de produtividade e controle de gastos públicos.

Bohn também ressaltou a urgência de uma reforma administrativa para revisar o “contrato social” entre Estado e sociedade, limitando os encargos que, ao longo de décadas, aumentaram sem resultados satisfatórios para a população.

Em sua fala, Guedes observou que a economia de mercado se consolidou como uma "linguagem universal" de cooperação global, no entanto, ele pontuou um "desencaixe" entre a integração econômica promovida pela globalização e as divergências políticas persistentes, mantendo acesas antigas tensões, como as da Guerra Fria.

Segundo Guedes, com a liderança econômica da China, as disputas internacionais passaram a se expandir para novas dimensões, incluindo os campos cibernético e sanitário. Ele apontou que, enquanto a economia dominou a agenda internacional nas últimas décadas, a geopolítica agora assume papel central, gerando rupturas nas conexões globais construídas ao longo do último século.

“A democracia não venceu ainda. Quem venceu foram as economias de mercado. Essa é a linguagem universal de cooperação humana. Essa é a forma que todos estão usando”, disse Paulo Guedes considerando que “o mundo está irreversivelmente rompido”. “Depois de 80 anos andando para frente, todas as economias se integrando, ganhos extraordinários acontecendo, começaram os efeitos indesejáveis a serem sentidos, justamente do lado de cada mundo”.

Ao abordar a questão de um possível conflito global, Guedes afirmou que uma terceira Guerra Mundial seria improvável, dadas as interdependências econômicas entre grandes potências. “Seria um suicídio para a China e para os EUA”, considerou.

Guedes também comentou sobre o avanço do conservadorismo, interpretando-o como resposta a períodos de incerteza econômica e frustrações populares que se traduzem em apoio a políticas de proteção nacional. “O Ocidente entrou em modo de sobrevivência. Os conservadores estão vindo, porque defendem os princípios da civilização ocidental”, ressaltou.

Por fim, o ex-ministro destacou os recursos naturais do Brasil como uma “fronteira de investimento” a ser explorada de forma consciente e produtiva, observando que o país já estava trilhando o caminho da prosperidade e que há oportunidades para fortalecer essa trajetória.

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