Kicillof explicou que o governo argentino antecipou-se e depositou mais do que devia para não atrasar o pagamento e, ao mesmo tempo, demonstrar a clara intenção de honrar seus compromissos. O ministro também deixou claro que há risco de a Justiça norte-americana expropriar esse dinheiro para pagar aos chamados "fundos abutres", que compraram títulos "podres" e abriram processo para receber a totalidade, sem desconto.
Kicillof - que nessa quarta expôs o caso da Argentina ao G7+China, na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque - deixou claro que o dinheiro dos credores foi depositado no banco e responsabilizou os fundos abutres (que chamou de especuladores) pela eventual falta de pagamento. A decisão de expropriar ou não o dinheiro será dos norte-americanos, alegou.
"Qualquer conduta que pretenda obstaculizar esse pagamento a nossos credores é uma violação da ordem jurídica e do direito internacional, que proíbem a coerção a outros Estados em virtude da igualdade soberana, cláusula que também vigora nos Estados Unidos", disse o ministro. Ele se referiu às 900 tentativas dos fundos abutres de embargar bens argentinos,inclusive o navio-escola Fragata Libertad.
Desde o último dia 16 de junho, a Argentina está em uma encruzilhada: depois de percorrer todas as instâncias da Justiça norte-americana, o governo argentino perdeu o processo aberto por dois fundos e 13 pessoas físicas, que representam 1% dos detentores dos títulos da dívida do país.
O juiz de Nova Iorque, Thomas Griesa, determinou que eles teriam o direito de receber a totalidade da dívida de 1,3 bilhão de dólares, ao mesmo tempo em que os credores, que aceitaram o desconto de 60%, propostos nos planos de reestruturação de 2005 e 2010. Sendo assim, no dia 30 de julho, o governo argentino teria que depositar 2,2 bilhões de dólares para saldar ambas dividas.
Logo que informada sobre a decisão da Justiça norte-americana, favorável aos fundos abutres, a presidenta Cristina Kirchner fez discurso em cadeia nacional de televisão para assegurar que o país honraria seus compromissos com os credores, que aceitaram a renegociar a dívida. Ela explicou que o país não está em condições de pagar tudo que deve aos chamados fundos abutres.
Além desse grupo, que ganhou na Justiça o direito de cobrar 1,3 bilhão de doláres, existem outros credores (que representam 6% do total) - a maioria com ações na Justiça. Se todos ganharem, a Argentina teria que desembolsar 15 bilhões de doláres - mais da metade das reservas no Banco Central, o que seria inviável para a economia do país, segundo admite o governo.