"A Argentina deu um tiro no pé. E o que mais me preocupa é que isso representa uma desconfiança quanto a relações verdadeiramente fraternas por um longo tempo", afirmou o ministro antes de participar de um fórum informativo em Madrid, na Espanha. A informação foi publicada pelo jornal Clarín e pela imprensa espanhola.
García-Margallo disse que a mensagem foi repassada ao embaixador da Argentina em Madrid, Carlos Bettini, com quem se reuniu no Ministério das Relações Exteriores para expressar desconforto e a condenação do governo espanhol pela decisão da presidente Cristina Kirchner de expropriar a YPF.
O encontro com Bettini na sede do ministério espanhol durou cerca de 30 minutos. O embaixador argentino, que foi convocado pela segunda vez em quatro dias sobre o assunto, evitou fazer declarações à imprensa após a reunião.
Ele destacou que "o dano para a Argentina pode ser irreparável", porque "você poderá ver cortar o acesso ao crédito internacional". Ele acrescentou: "A presidência Argentina terá que explicar as conseqüências de ter perdido a confiança".
O ministro não especificou as medidas "claras e contundentes" que o governo espanhol está estudando devido à decisão das autoridades do seu país de expropriar as ações da Repsol na petroleira YPF, que serão adotadas pelo Conselho de Ministros.
FMI lamenta postura "imprevisível" da Argentina
O economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), Thomas Helbling, lamentou nesta terça-feira a postura imprevisível da Argentina, após o anúncio por parte do governo do país sobre a expropriação de 51% da companhia petroleira YPF.
"Penso que houve uma certa deterioração do clima para os investidores na Argentina nos últimos anos", afirmou o economista em coletiva de imprensa em Washington, nos Estados Unidos.