Economia

Assinado convênio para recuperação de maquinários de empresas e indústrias gaúchas

Programa Recupera Indústria RS tem por objetivo apoiar 10 mil empresas industriais em seu restabelecimento, com o oferecimento de Planos de Ação Individuais

Segundo levantamento da Fiergs, 81% dos estabelecimentos industriais reportaram impactos pelas enchentes
Segundo levantamento da Fiergs, 81% dos estabelecimentos industriais reportaram impactos pelas enchentes Foto : Fernanda Bassôa / Especial CP

Foi assinado nesta quinta-feira, em São Leopoldo, na presença do ministro extraordinário de Apoio à Reconstrução do RS, Paulo Pimenta, o convênio de cooperação técnica e financeira no valor de R$ 9,4 milhões entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RS) e Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). O projeto destinará o recurso, por meio do programa Recupera Indústria RS para a reabilitação do maquinário de pequenas e médias empresas atingidas pelas enchentes de maio nas regiões do Vale dos Sinos, Região Metropolitana e Serra Gaúcha, os maiores polos industriais do Estado. O acordo estabelece o repasse de R$ 8,5 milhões pela ABDI ao Senai, executor do convênio, que aplicará a contrapartida de R$ 945 mil. Os recursos da Agência serão usados na aquisição de peças e componentes de manutenção corretiva das máquinas industriais, bem como no pagamento de mão de obra técnica terceirizada.

O presidente da Fiergs, Gilberto Petry, disse que o Estado ainda vive momento difíceis diante da tragédia climática que deixou danos de médio e longo prazo, cuja solução demanda a união de esforços entre a iniciativa privada, setor público e a sociedade gaúcha. “Segundo levantamento da Fiergs, 81% dos estabelecimentos industriais reportaram impactos pelas enchentes. Deste grupo, 19,6% indicaram que suas máquinas e equipamentos foram danificados. O Programa Recupera Industria RS tem como foco estratégico garantir a operacionalidade contínua e eficiente das máquinas das fábricas atingidas pelas inundações, reduzindo o tempo de inatividade e maximizando a produtividade. Cada atendimento deverá ser realizado em no máximo 8 meses.”

O diretor regional do Senai, Carlos Trein, enfatizou sobre a articulação das entidades no propósito de apoio a indústria gaúcha. “O Senai foi criado pela indústria é mantido pela indústria é gerido pela indústria tem o seu propósito justamente em apoiar a indústria gaúcha e nacional. Neste momento difícil, temos relatos de empresários que perderam toda sua capacidade industrial. Alguns foram afetados porque tiveram a logística afetada, funcionários que não chegaram nas empresas e produção diretamente atingida.”

Já o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, disse que, diante de toda a angústia e desespero dos empresários e indústrias, em 30 dias foi construído um plano de trabalho pra atender pequenas e microempresas, além de indústrias que perderam tudo e que tem mais dificuldade de recuperar o seu processo produtivo. “Tenho a certeza de que estamos fazendo uma ação importante porque estamos lidando com o drama de empresas familiares que estão no mercado há mais de 25 anos. É dor misturada com força, resiliência e otimismo.”

Ele explica que o objetivo da medida é atender no mínimo 100 empresas, podendo superar 200 empresas, nesta em conformidade com o Plano de Ação Individual (PAI) de cada uma. O custo máximo estabelecido para a execução individual é de R$ 85 mil para cada negócio. Segundo ele, o impacto nas cadeias produtivas na região sul é um problema de todo o país. "Nossa preocupação foi ter uma resposta rápida para o setor industrial, principalmente dos pequenos, depois da tragédia que abalou Estado. Unirmos numa resposta rápida foi nosso foco."

O ministro Paulo Pimenta, em sua fala, antes da assinatura do convênio, disse que há 60 dias tem presenciado esse processo tão doloroso aqui no RS que são relatos e os reflexos advindos das consequências climáticos sobre o Estado. “É um processo doloroso, mas ao mesmo tempo um esforço enorme de recomeço e de reconstrução. E neste momento todas as parcerias que pudermos construir são extremamente importantes.” Ele disse ainda que Governo Federal tem adotado muitas iniciativas, mas com certeza são insuficientes diante da magnitude do desafio que os gaúchos têm pela frente.

A região metropolitana tem 8 mil indústrias, responsáveis por 128 mil postos de trabalho, com foco na produção de veículos, autopeças, derivados do petróleo e alimentos. No Vale dos Sinos, a produção de calçados é o foco principal e na região da Serra, a de móveis. Com foco nestas e nas demais regiões do Estado afetadas pelas enchentes, o programa Recupera Indústria RS tem por objetivo apoiar 10 mil empresas industriais em seu restabelecimento, com o oferecimento de Planos de Ação Individuais (PAI) compostos de pacotes de trabalho padronizados para a restauração de seu funcionamento mínimo. Será dada atenção à manutenção corretiva de máquinas e equipamentos industriais para possibilitar, assim, a reabertura de postos de trabalho. O projeto vai funcionar em cinco etapas: cadastro e autoavaliação, seleção, diagnóstico, execução e avaliação dos resultados.

Empreendedoras Braskem forma sua quarta turma no RS

O programa é voltado para mulheres que desejam criar ou profissionalizar um pequeno negócio