Em virtude de uma cobrança extra na conta de luz por causa da definição da bandeira vermelha patamar 2, os consumidores já demonstram preocupação com o aumento do preço da energia elétrica, principalmente empresários que projetam incremento de custo na produção. Cada 100 quilowatts/hora consumidos será R$ 7,87.
Luci Mara Silva Almeida é proprietária da Chácara Vila Nova Orgânicos, agroindústria de pequeno porte situada na zona rural de Porto Alegre. A empresária deve observar com atenção como ficará a conta de luz. Para cultivar morangos e também produtos como sorvete e outros derivados da fruta, a empresa gasta, em média, R$ 600 por mês em energia, dependendo da estação.
“No verão temos mais demanda de sorvete e também usamos mais as bombas para irrigação”, explicou. “Temos quatro estufas de morangos. Apesar do desconto para produtor rural, em novembro, quando diminuem as chuvas, vamos sentir o aumento da conta, porque teremos que usar os motores para bombear a água e outros equipamentos para produzir sorvete”, detalhou a empresária.
Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), um dos fatores que determinaram o acionamento da bandeira vermelha patamar 2 foi o risco hidrológico, ou seja, baixa previsão de chuva para os reservatórios das hidrelétricas do país. Embora o Rio Grande do Sul esteja em um período com chuvas e com níveis de reservatórios melhores frente ao restante do Brasil, o sistema brasileiro é interligado. Por isso a elevação do preço vale para todas as regiões. A Aneel ainda informou que teve influência o preço do mercado de energia elétrica em outubro.
Uma sequência de bandeiras verdes se iniciou em abril de 2022 e foi interrompida em julho, ou seja, não havia cobrança extra, e é isso que a cor verde sinaliza. A bandeira amarela de julho, que custou R$ 1,88 a cada 100 quilowatts/hora gastos, foi seguida depois pela bandeira verde em agosto, mas em seguida a cor vermelha de patamar 1 foi adotada em setembro para chegar ao nível 2 em outubro.
Criado em 2015 pela Aneel, o sistema de bandeiras tarifárias reflete os custos variáveis da geração de energia elétrica. Divididas em níveis, as bandeiras indicam quanto está custando para o Sistema Interligado Nacional gerar a energia usada nas casas, em estabelecimentos comerciais e nas indústrias. De acordo com a Aneel, as bandeiras permitem ao consumidor um papel mais ativo na definição de sua conta de energia.
Como economizar
Nesse contexto de aumento de custos, a RGE informou que é possível adotar medidas que promovam economia.
- Escolher equipamentos com selo de eficiência A do INMETRO/PROCEL, por exemplo, e utilizá-los de forma correta, lícita e segura é essencial para controlar o consumo e os gastos.
- Ajustar o chuveiro para a posição "verão", o que pode reduzir o consumo em até 30%. Além disso, diminuir o tempo no banho é uma medida bastante eficiente”, explica o especialista.
- Evitar abrir a porta da geladeira sem necessidade e posicionar o equipamento longe de fontes de calor.
- Utilizar lâmpadas de LED, que economizam até 85% em relação às incandescentes, e aproveitar a luz natural sempre que possível.
- Instalar o aparelho de ar-condicionado em um local com boa ventilação, manter portas e janelas fechadas e limpar os filtros regularmente são ações que ajudam a reduzir o consumo.