A conta de luz de boa parte dos gaúchos ficou mais salgada em 2015. O reajuste anual da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) chegou a 23,51%. O acréscimo médio foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e passou a vigorar na segunda semana de dezembro. Dependendo do dia de leitura do consumo, o percentual já incidiu no valor pago pelos clientes neste mês.
O professor de matemática Júlio César de Lucca, 64 anos, começou a maneirar no uso do ar-condicionado, principalmente após o anúncio de reajuste. Com a calculadora na mão, comparou os valores e constatou que a conta pesou no orçamento. Ele tem duas ligações da CEEE, que somadas, chegaram a R$ 139,00 em dezembro e passaram para R$ 152,00 em janeiro. “Agora estamos economizando e controlando mais”, observou ele, que mora no bairro Floresta.
“Por enquanto, eu não senti muita diferença na minha conta”, declarou a aposentada Leda Maria Machado da Silva, 78 anos. Apesar de ficar com o ventilador ligado quase o dia inteiro, o valor de janeiro foi de R$ 62,04. No mês anterior, havia pago R$ 57,27. “Nesse calor, não tem como não usar. A gente tem que viver de acordo com o dinheiro que ganha e não estou economizando na energia”, justificou,
O aumento da CEEE deveria ter ocorrido em outubro de 2014, mas os valores ficaram congelados até dezembro. O reajuste varia de 22,39% e 25,60% e tem efeito médio de 23,51%. Para os consumidores residenciais, o impacto é de 22,41%. Conforme a Aneel, o percentual tem base na compra de energia, que ficou mais cara com a necessidade de acionamento das termelétricas em função dos baixos níveis dos reservatórios do Sudeste do Brasil.
As demais concessionárias no Estado não tiveram reajustes este ano. O último aumento na tarifa da AES Sul ocorreu em 16 de abril de 2014. O índice médio fixado foi de 29,54%. A próxima mudança de valor deverá ocorrer em abril de 2015. Já o mês de alteração de preço da RGE é junho. No ano passado, o reajuste homologado pela Aneel para a companhia foi de 21,82%.
Respondendo a especulações do mercado, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse na quarta-feira que o reajuste das tarifas de energia este ano não chegará a 40%, devido à suspensão dos repasses do Tesouro Nacional para o setor.
Aumento da conta de luz já pesa no bolso
Reajuste anual da CEEE chegou a 23,51%