A meta estipulada é 4,5%, podendo variar 2 pontos percentuais para mais ou para menos, ou seja, de 2,5% a 6,5%. Segundo o especialista, é preciso esperar a reação do mercado ao aumento da taxa básica de juros, Selic. O Copom elevou a taxa em 0,5 ponto percentual na última reunião ocorrida no dia 10. Também houve alta da Selic em abril e maio, de 0,25 e 0,5 ponto percentual, respectivamente.
“A inflação vai ficar dentro da meta, mas próxima ao teto. No centro da meta não há condições, teria que haver mais tempo e subir a taxa de juros muito mais fortemente. Mas para garantir a atividade econômica, não dá para aumentar muito", ponderou o especialista. "O Banco Central, subindo as taxas de juros, sinaliza aos agentes econômicos que a economia vai arrefecer e, com isso, estes não fazem planos de investimentos. Os consumidores não fazem plano para comprar e isso tende a reduzir a pressão inflacionária”, avaliou Marques.
A desvalorização persistente do real ante o dólar deve continuar pressionando a inflação nos próximos meses, mas não a longo prazo. Segundo o professor universitário, ainda é cedo para garantir que essa pressão da desvalorização cambial vá ser repassada para os preços.
Em ata publicada na última quinta-feira, a entidade monetária avaliou que a alta do dólar e as oscilações na taxa de câmbio nos últimos trimestres “ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos”. Além disso, o documento destaca que a alta do dólar é “fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos”.
Para o especialista, para que a alta do dólar não interfira de forma agressiva na inflação é preciso haver uma “compensação” de outros fatores que pressionam o índice como tarifa de ônibus e alimentos. “Tem que haver combinação entre queda de preços de alimentos e passagens para compensar a elevação da desvalorização cambial”, disse.