Economia

Aumento da Selic deve manter inflação no teto da meta do governo

Economista prevê acúmulo anual de 6,5% nos preços com juros mais altos

O aumento da taxa básica de juros, a Selic, para 8,5% ao ano pelo Banco Central deve ajudar a segurar a pressão inflacionária. Dessa forma, a inflação deve ficar próxima do teto da meta definida pelo governo em 2013, que é 6,5%, conforme o professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), Newton Marques.

A meta estipulada é 4,5%, podendo variar 2 pontos percentuais para mais ou para menos, ou seja, de 2,5% a 6,5%. Segundo o especialista, é preciso esperar a reação do mercado ao aumento da taxa básica de juros, Selic. O Copom elevou a taxa em 0,5 ponto percentual na última reunião ocorrida no dia 10. Também houve alta da Selic em abril e maio, de 0,25 e 0,5 ponto percentual, respectivamente.

“A inflação vai ficar dentro da meta, mas próxima ao teto. No centro da meta não há condições, teria que haver mais tempo e subir a taxa de juros muito mais fortemente. Mas para garantir a atividade econômica, não dá para aumentar muito", ponderou o especialista. "O Banco Central, subindo as taxas de juros, sinaliza aos agentes econômicos que a economia vai arrefecer e, com isso, estes não fazem planos de investimentos. Os consumidores não fazem plano para comprar e isso tende a reduzir a pressão inflacionária”, avaliou Marques.

A desvalorização persistente do real ante o dólar deve continuar pressionando a inflação nos próximos meses, mas não a longo prazo. Segundo o professor universitário, ainda é cedo para garantir que essa pressão da desvalorização cambial vá ser repassada para os preços.

Em ata publicada na última quinta-feira, a entidade monetária avaliou que a alta do dólar e as oscilações na taxa de câmbio nos últimos trimestres “ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos”. Além disso, o documento destaca que a alta do dólar é “fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos”.

Para o especialista, para que a alta do dólar não interfira de forma agressiva na inflação é preciso haver uma “compensação” de outros fatores que pressionam o índice como tarifa de ônibus e alimentos. “Tem que haver combinação entre queda de preços de alimentos e passagens para compensar a elevação da desvalorização cambial”, disse.




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