Uma manifestação de bancários ligados à Federação dos Trabalhadores em Instituições Financeiras do RS (Fetrafi-RS) e representações do SindBancários de todo o estado, tomou ruas do Centro Histórico de Porto Alegre no final da manhã desta quinta-feira, Dia Nacional de Luta Contra a Terceirização.
Centenas de participantes saíram da Praça da Alfândega com cartazes, palavras de ordem, um trio elétrico e inclusive um caminhão com sacos simulando lixo, assim como um homem trajado como banqueiro, em protesto contra as enchentes.
A passeata percorreu vias como as ruas Caldas Júnior, General Câmara e avenida Siqueira Campos, encerrando o ato no Paço Municipal. Segundo o presidente do SindBancários Porto Alegre e Região, Luciano Fetzner, o fechamento de agências depois das enchentes vem causando demissões de trabalhadores e frustração da categoria.
Ele também destacou a pauta da campanha salarial. “Nosso pedido é de aumento 5% acima da inflação, nenhum absurdo, considerando que os lucros dos bancos vêm batendo recordes, consequência do bom trabalho de seus trabalhadores”, disse ele.
Protesto dos Bancários
No entanto, os banqueiros oferecem 85% do valor real da inflação. “Se há recorde de lucro, não há porque não melhorar o poder de compra da categoria”, acrescentou. Fetzner ainda comentou que os bancários estão entre as três categorias com mais diagnósticos de problemas relacionados à saúde mental. A diretora da Fetrafi e secretária-geral do SindBancários, Sabrina Muniz, disse que a categoria está adoecida.
“Estamos aqui pra trazer nossas reivindicações e também fazer o link aqui com o RS, porque aqui tivemos a tragédia das enchentes. Vimos os bancos anunciando que estavam doando recursos, quando, na verdade, eram aberturas de linhas de crédito. Infelizmente, vimos até algumas figuras políticas, como também o capital, se aproveitando da situação e estamos também trazendo essa denúncia”, comentou ela.
Presidente do Banrisul: “Relação com o sindicato é tranquila”
No momento da manifestação, o presidente do Banrisul, Fernando Lemos, cruzou pelo local. De acordo com ele, a relação com o sindicato é “muito tranquila”. “Estamos fazendo a negociação, este é um processo normal e natural. O banco está aberto à discussão e vamos chegar a um bom acordo. Não há nenhum problema, vamos avançar naquilo que é possível. Tenho meu papel como dirigente de banco, mas no final, estamos do mesmo lado”, declarou Lemos.