Centenas de bancários se reuniram na manhã desta quinta-feira na Praça da Alfândega, no Centro Histórico de Porto Alegre, como parte da paralisação da categoria em todo o país, agendada para ao longo do dia de hoje. Com cartazes e adesivos nas portas das agências, eles cruzaram os braços após rodadas de negociações frustradas com as instituições financeiras.
A chuva forte que caiu no final da manhã fez com que eles se deslocassem em grande parte da frente da sede da Caixa Econômica Federal até um toldo montado em frente ao Banrisul, onde também foi preparado um almoço. Ao microfone, representantes sindicais disseram palavras de ordem. A nível nacional, são contrários à proposta apresentada no último dia 13 pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que prevê o congelamento do piso de ingresso, reajuste salarial diferenciado por faixas e a redução nos valores dos vales-refeição e alimentação nos municípios do interior.
“Há também um processo muito grande de adoecimento, metas abusivas e inatingíveis. Mesmo (os bancos) batendo recordes de lucros, boa parte dos trabalhadores recebem a alegação de que não fizeram o suficiente, apesar de todo o esforço. Assim, adoecem trabalhando e não são recompensados”, disse o presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), Luciano Fetzner. A paralisação havia sido anunciada pela categoria no início desta semana. “Os bancos exploram a população e seus trabalhadores”, acrescentou Fetzner.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores no RS (CUT-RS), Amarildo Cenci, disse que os bancos em geral “não passam por qualquer dificuldade”. “Há um discurso de (os bancos) melhorarem, de dar resultados, inovar, porém os resultados depois não são divididos. Esta luta dos bancários é a prova mais concreta desta resistência do setor patronal brasileiro em não conceder à classe trabalhadora o resultado que ela produz”, disse Cenci.
Procurada, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) disse, em nota, ter recebido ainda em junho a pauta de reinvindicações da campanha salarial dos bancários, afirmando que “as negociações seguem o cronograma estabelecido”. “Esperamos, ao longo desse processo, alcançar um entendimento satisfatório para ambas as partes”, disse a Febraban.
Leia nota completa da Febraban
A Federação Nacional dos Bancos (FENABAN), que representa há 34 anos os bancos nas negociações trabalhistas, recebeu, em 24 de junho, a pauta de reivindicações referente à campanha salarial deste ano. As negociações seguem o cronograma estabelecido, e esperamos, ao longo desse processo, alcançar um entendimento satisfatório para ambas as partes.