Em uma entrevista publicada neste sábado pelo jornal australiano Weekend Australian, Zoellick assegurou que os problemas de dívida soberana na zona do euro são mais inquietantes que os problemas "a médio e longo prazo" responsáveis pela degradação da classificação de crédito dos Estados Unidos. "Estamos nos primeiros momentos de uma tempestade nova e diferente, não é igual a 2008", quando explodiu a crise financeira, disse.
O presidente do Banco Mundial advertiu que, diferente de 2008, os governos têm agora menos margem de manobra para estimular a economia. "A maioria dos países desenvolvidos esgotou sua margem fiscal e sua política monetária alcançou a maior flexibilidade possível", declarou.
Quanto aos problemas de dívida na zona do euro, as decisões tomadas até agora pelos políticos "ficam aquém do que é necessário", acrescentou. "A lição de 2008 é que quanto mais tarde se age, mais precisa ser feito", disse, perguntando-se se os países europeus em dificuldades "poderão superar em algum momento os problemas que os afligem".
O presidente do Banco Mundial também incentivou o primeiro-ministro britânico David Cameron a não se retrair diante dos recentes distúrbios. Segundo ele, o plano de austeridade adotado pelo governo do Inglaterra no ano passado era "realmente necessário".
Itália endurece plano de ajuste
Na sexta-feira, a Itália, vítima da especulação financeira, endureceu pela segunda vez em um mês o plano de ajuste para equilibrar suas contas e frear os ataques dos mercados a sua economia, a terceira da zona do euro. As medidas incluem um imposto de solidariedade sobre as rendas mais altas e cortes subsequentes aos "custos da política" com a fusão de províncias e municípios, assim como o aumento gradual da idade de aposentadoria para as mulheres a 65 anos a partir de 2015.
As novas medidas, com o corte de 45 bilhões de euros adicionais entre 2012 e 2013, se somarão ao plano de austeridade aprovado em julho para os próximos três anos por um valor de 48 bilhões de euros. A Itália reconheceu estar disposta a aplicar uma série de reformas que modifiquem o mercado de trabalho e a realizar as privatizações dos serviços públicos, como exigiram outros países europeus e o Banco Central Europeu (BCE).
As bolsas operaram na sexta-feira com forte alta, em meio a um frenesi de compras após as quedas da semana, apaziguadas pelas medidas contra a especulação na Europa e pela reanimação do consumo nos Estados Unidos, apesar da desaceleração da França e do Japão.