Economia

BC decide iniciar processo de calibração, não afrouxamento, diz diretor

Nilton David reforça que o Banco Central busca um ajuste do nível da taxa de juros, sem abrir mão do controle monetário

Declaração foi feita durante seminário em Washington, em meio às reuniões de Primavera com o Fundo Monetário Internacional (FMI)
Declaração foi feita durante seminário em Washington, em meio às reuniões de Primavera com o Fundo Monetário Internacional (FMI) Foto : Antonio Cruz/Agência Brasil

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, reforçou nesta quarta-feira, 15, que o atual ciclo de cortes na taxa Selic trata-se de um processo de calibração do nível do juro, não de afrouxamento monetário. A fala foi feita durante palestra em seminário promovido pelo JPMorgan, em Washington, em meio às reuniões de Primavera com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

"E, por calibração, quero dizer que vamos sair desse processo ainda sob condições de aperto monetário. E por que isso aconteceu? Porque o mesmo nível de taxa de juros que estamos enfrentando agora vem acompanhado de uma inflação muito mais baixa e de expectativas de inflação também baixas", destacou o diretor, pontuando que isso contribui com a percepção de que a política cumpriu com o seu papel sobre a economia no país.

Nilton pontuou que a meta é de 3% e trata-se de um alvo definido por lei, que não é escolhido pelo BC. Ele também mencionou que, embora não haja uma meta para as expectativas de inflação, trata-se de métricas importantes para subsidiar o trabalho da autoridade monetária.

Impacto da pandemia e bancarização

Durante a fala, Nilton também mencionou alguns acontecimentos que, desde o fim da pandemia, influenciaram a economia doméstica e, consequentemente, a política monetária, como o crescente movimento de bancarização, por conta da criação do Pix.

O diretor também mencionou que o período da covid fez com que as famílias do país tivessem um padrão de poupança atípico e que houve necessidade, desde o início de 2023, de a União honrar seus compromissos com o pagamento de precatórios, o que significou uma expansão fiscal significativa.

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Ele relembrou que o Brasil cresceu consistentemente acima das previsões do mercado nos últimos cinco anos, o que reacendeu alguma preocupação de que a política monetária poderia não estar sendo suficiente para frear a atividade à época.

"Tanto que, na virada de 2024 para 2025, com o dólar forte em relação ao resto do mundo, vimos o real se enfraquecendo e a percepção de que poderíamos até estar nos aproximando de uma dominância fiscal. O que aconteceu depois foi que o Banco Central reagiu e elevou os juros em mais 375 pontos-base a partir daquele momento, totalizando 450 pontos-base desde o início do ciclo" disse Nilton.

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