O Banco Central elevou mais uma vez a projeção oficial para o IPCA em 2010. No Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quarta-feira, 30, a estimativa no cenário de referência para o índice oficial de inflação neste ano subiu de 5,2% para 5,4%. Com o ajuste, o número previsto pela diretoria do BC se afasta ainda mais do centro da meta de inflação para o ano, de 4,50%.
No cenário de referência, as estimativas para a inflação são feitas com a manutenção do dólar em R$ 1,80 e taxa Selic de 10,25% ao ano em todo o período das estimativas. No mesmo cenário, a estimativa para a inflação em 2011 subiu de 4,9% para 5%.
Já no cenário de mercado, a estimativa do BC para o IPCA em 2010 subiu de 5,2% para 5,3%. A estimativa para a inflação acumulada em 2011, por sua vez, avançou de 4,4% para 4,6%. Nesse cenário, a estimativa é feita com base na evolução dos indicadores econômicos previstos pelos agentes do mercado financeiro.
Para o fim de 2010, a projeção para o câmbio caiu de R$ 1,83 para R$ 1,81. Para o último trimestre de 2011, a expectativa dos analistas manteve-se em R$ 1,86. Quanto à Selic, as estimativas do mercado subiram na comparação com o último relatório, em março. Para o último trimestre de 2010, a taxa média de juro avançou 11,14% para 11,81% e para o último trimestre de 2011, passou de 11,14% para 11,75%.
O relatório aponta, contudo, que diminuiu a chance de a inflação superar o teto da meta de inflação para o ano, de 6,5%. Segundo o documento, a chance de o IPCA superar os 6,5% é atualmente de 12%. Um trimestre atrás, na edição anterior, a chance era de 13%. Para 2011, essa probabilidade de estouro da meta de inflação é atualmente em torno de 17%, idêntica à hipótese observada em março.
O BC também destaca no relatório a diferença entre a evolução esperada do IPCA em 2011 no cenário de referência e no cenário de mercado. "Assim como verificado no último Relatório, as dinâmicas das projeções nos dois cenários considerados se afastam consideravelmente em 2011, refletindo o efeito das expectativas de elevação da taxa Selic, que leva a inflação a patamares inferiores no cenário de mercado", cita o documento.
Para 2010, porém, essa diferença de avaliação é "bem menor". Essa diferença, explica o BC, acontece "devido, principalmente, às defasagens do mecanismo de transmissão da política monetária para os preços". "Outro aspecto a destacar é que, em geral, as projeções para a inflação se elevaram em comparação aos números constantes do último Relatório, entretanto, na margem há sinais de reversão desse movimento", cita o texto.
Alta generalizada
As estimativas de inflação subiram em praticamente todos os trimestres à frente no cenário de referência. Nos 12 meses encerrados no segundo trimestre de 2010, a estimativa de aumento do IPCA avançou de 4,9% observada no relatório anterior, de março, para 5%. Até o fim do terceiro trimestre de 2010, a previsão passou de 5% para 5,1%.
Para 2011, nos 12 meses até o primeiro trimestre do próximo ano, a estimativa avançou de 4,7% para 4,9%. Para o período trimestral seguinte, a estimativa avançou de 4,4% para 4,8%. Nos 12 meses até o fim do terceiro trimestre de 2011, o número esperado subiu de 4,7% para 5%.
O único trimestre que não sofreu alteração foi o primeiro de 2012, cuja estimativa permaneceu em 5,1%, idêntico ao observado em março. Para o segundo trimestre de 2012, projeção inédita, o BC espera IPCA de 4,8%.
BC eleva estimativa para a inflação em 2010
Previsão passa de 5,2% para 5,4% e se afasta ainda mais do centro da meta definida para o ano, de 4,50%